A ex-apresentadora de TV Natalie Harp — assessora próxima do presidente dos EUA, Donald Trump, apelidada como "impressora humana" por acompanhar o republicano com uma impressora portátil e redigir mensagens e informações para ele — apresentou trechos da cobertura da mídia americana ao presidente na semana passada, antes dele tomar a decisão de banir jornalistas da CNN, MS Now (ex-MSNBC) e Politico das dependências da sede de governo em Washington. O material apresentado por Natalie teria irritado o presidente, segundo uma fonte ouvida pela CNN. Contexto: Principais emissoras de TV dos EUA suspendem cobertura conjunta de Trump em apoio à rede CNN Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países A rede americana, uma das afetadas pelo banimento anunciado na sexta-feira, ouviu uma fonte sob a condição de anonimato, que afirmou que um gráfico publicado pelo Politico estava entre os materiais que teriam enfurecido o presidente, contribuindo para a tomada de decisão. Outra fonte afirmou que Trump também teria assistido a trechos de programas televisivos. Embora Trump tenha inicialmente afirmado que a decisão de banimento, com efeito imediato, não teria motivação, o republicano revelou frustração com o conteúdo dos meios de comunicação, acusando-os de produzirem "fake news". Repórteres dos veículos tiveram o acesso à Casa Branca rejeitado no sábado, e a CNN foi destituída de sua função como representante do pool de imprensa televisiva nesta segunda. Em resposta, os três veículos de comunicação anunciaram nesta segunda-feira que apresentariam ações judiciais contra a decisão da Casa Branca, apontando o risco para a "liberdade de imprensa e direito do público a um jornalismo independente, livre de interferência governamental". Havia também a previsão de uma petição separada, buscando uma medida de emergência que garanta o exercício do trabalho de seus funcionários durante o processo judicial. Trump reagiu ao anúncio afirmando que a parte da mídia afetada pela medida seria uma "ameaça à segurança nacional". Pouco depois, as principais emissoras de TV dos EUA suspenderam a cobertura conjunta de eventos públicos do presidente americano, em solidariedade à rede CNN. Natalie Harp: quem é a assessora dedicada de Trump, apelidada de ‘impressora humana’ e presenteada com R$ 229 mil em dinheiro AFP 'Impressora humana' O mencionado papel de Natalie na tomada de decisão por Trump recoloca a assessora no centro do noticiário político, após uma série de questionamentos sobre a proximidade entre ela e o presidente americano. Harp se tornou uma das responsáveis por controlar o acesso ao presidente, e por parte relevante das comunicações.
Entre as atribuições, a assessora teria enviado mensagens de texto a líderes mundiais em nome de Trump, elaborado publicações para as redes sociais dele e redigiria informações por escrito a serem repassadas ao presidente durante agendas públicas. O New York Times, em um perfil sobre Harp, apontou-a como alguém que "nunca tira um dia de folga, nem mesmo aos domingos" e que "tem um lugar cativo no Marine One, o helicóptero presidencial americano". Com um salário de US$ 150 mil (cerca de R$ 776 mil), ela ocupa um cargo de assistente especial e assistente executiva do presidente, uma dupla titulação. Em setembro, o Washington Post noticiou que ela e outras duas assessoras teriam recebido valores na ordem de US$ 45 mil (R$ 229,8 mil) de Trump, assinalando os valores como "presentes em dinheiro pelas festas de fim de ano" em formulários de declaração patrimonial. Especialistas em direito americano questionaram a legalidade dos pagamentos. A Casa Branca rejeitou qualquer irregularidade. Natalie Harp: Quem é a assistente dedicada de Trump, apelidada de ‘impressora humana’ e presenteada com R$ 229 mil em dinheiro Relação de proximidade No livro "Regime Change", dos repórteres do New York Times Maggie Haberman e Jonathan Swan, Trump é descrito explicando às pessoas que Harp é a única que o ama tanto quanto sua esposa e seus filhos. Todos os outros funcionários, segundo Trump, iriam embora ganhar dinheiro, mas Harp jamais o abandonaria. Ela já disse que teria uma dívida de gratidão com Trump, por uma lei aprovada por ele em 2018, que teria autorizado que ela recebesse tratamentos experimentais para um câncer ósseo. Ela nunca detalhou publicamente o tratamento realizado. Ela já apareceu em vídeos elogiando publicamente Trump, falando sobre a admiração ao presidente e como ele a atraiu para a política. Também foi flagrada em uma gravação correndo por uma longa distâncias para acompanhar o carrinho de golfe do presidente, enquanto ele circulava por seu campo na Escócia. O interesse do público pela assessora explodiu depois que foi revelado que ela estava entre as poucas pessoas que acompanharam Trump dentro de um contêiner de transporte de refeições e suprimentos de serviços de bordo, usado para retirá-lo às pressas da Turquia, após a avaliação de que havia uma ameaça de ataque iraniano. Jon Ossoff, senador democrata da Geórgia, inflamou a situação ao afirmar, após a descoberta sobre a retirada da Turquia, que Trump não queria fazer seu trabalho, mas sim "construir seu salão de festas [na Casa Branca] e viajar com Natalie em seu palácio voador", citando o avião Força Aérea 01, dado de presente aos EUA pelo Catar. A declaração do senador foi tachada de sexista. (Com AFP e NYT)
O Globo