Imprensa estrangeira repercute prisão de Ramagem pelo ICE e destaca fim de 'busca internacional de seis meses'

 

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A imprensa internacional repercutiu nesta segunda-feira a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE) dos Estados Unidos. No site oficial do ICE consta que o bolsonarista está sob a custódia do órgão.

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O jornal americano The Washington Post afirma que a operação desta segunda-feira "encerrou uma busca internacional que durou seis meses e se estendeu por dois continentes".

O jornal americano repercutiu a prisão de Ramagem

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"Alexandre Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil no ano passado, por conspiração para reverter a derrota eleitoral do populista de direita", destaca o jornal.

Já o jornal britânico The Guardian destacou que Ramagem fugiu para o exterior dias antes da condenação pela trama golpista. O veículo também cita que o bolsonarista afirmou ter a "aprovação" do governo do presidente Donald Trump.

"Quando o ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, foi condenado a quase 30 anos de prisão por uma tentativa de golpe, outros seis membros de seu gabinete também foram considerados culpados e começaram a cumprir suas penas – com exceção de um. Dias antes do veredicto, Alexandre Ramagem, ex-chefe da espionagem de Bolsonaro, fugiu de carro para a Guiana e embarcou em um voo para os Estados Unidos, onde permanece desde então", afirma o jornal.

O jornal britânico The Guardian repercutiu o caso

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"Ramagem, um ex-policial federal, foi condenado a 16 anos de prisão depois que o Supremo Tribunal Federal concluiu que ele havia transformado a agência de inteligência brasileira em uma unidade clandestina de contraespionagem para monitorar ilegalmente autoridades consideradas opositoras de Bolsonaro", completa o The Guardian.

O francês Le Monde também destacou a condenação pela trama golpista, junto a Bolsonaro, e a fuga de Ramagem para os Estados Unidos.

O jornal francês repercutiu a prisão de Ramagem

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"Eles foram considerados culpados de conspirar para manter Bolsonaro no poder, apesar de sua derrota para o atual presidente de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, nas eleições de 2022. Alexandre Ramagem, um aliado de confiança de Jair Bolsonaro, chefiou a Abin durante o governo do (então) presidente, de julho de 2019 a março de 2022", destacou o jornal francês.

Ramagem foi condenado no ano passado, em julgamento da trama golpista realizado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), a uma pena de dezesseis anos pelos crimes de organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de estado.

A sentença foi aplicada no mesmo processo que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Polícia Federal (PF) informou que a prisão do ex-deputado federal ocorreu a partir de cooperação internacional com autoridades dos Estados Unidos.

"A prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA. O preso é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito", informou a PF em nota.

Já o blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo afirma que Ramagem foi “detido após uma abordagem policial”, inicialmente em função de uma “infração leve de trânsito”, sem apontar qual seria a ação administrativa. Segundo Figueiredo, o ex-parlamentar teria sido levado ao ICE em seguida.

Mandato cassado

Em dezembro do ano passado, a Câmara cassou o mandato de Ramagem no mesmo dia da punição do colega Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

As decisões foram tomadas pela Mesa Diretora, por atos administrativos assinados pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e demais integrantes da gestão, sem votação em plenário, e publicadas em edição extra do Diário da Câmara.

Ramagem teve o mandato cassado em decorrência da condenação no processo que apura a tentativa de golpe de Estado e após determinação do STF pela cassação por decisão da Mesa da Câmara. Já Eduardo foi cassado por faltas, após se mudar para os Estados Unidos.

Ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ramagem sustentou à época que a Casa não poderia cumprir automaticamente a decisão do Supremo, alegando que o caso deveria ir ao plenário.