'Impossível não se indignar': Janja rebate falas de aliado de Trump que chamou brasileiras de 'raça maldita'

 

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A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, reagiu nesta sexta-feira às declarações do empresário Paolo Zampolli, enviado especial para Negócios Globais do governo Donald Trump, que chamou mulheres brasileiras de "raça maldita" e afirmou que elas seriam "programadas para causar confusão". Descrito como "aliado de longa data" do presidente dos Estados Unidos, ele deu entrevista à emissora italiana RAI.

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"É impossível não se indignar diante da fala do enviado especial para parcerias globais de Donald Trump", escreveu Janja, que mencionou ainda as acusações que pesam contra Zampolli — ele é apontado por sua ex-companheira, a modelo brasileira Amanda Ungaro, de violência doméstica e abuso sexual e psicológico. O empresário nega as acusações.

Em publicação nas redes sociais, a primeira-dama também afirmou que declarações misóginas não diminui as brasileiras:

"Sabemos muito bem quem somos e temos muito orgulho de quem nos tornamos diariamente. Na indignação, nos fortalecemos. Nos unimos para combater o machismo, a misoginia, o feminicídio e toda forma de violência contra nós. Não somos programadas para nada. Somos pessoas com voz, com sonhos e lutamos diariamente para viver com dignidade e liberdade para ser quem quisermos", disse.

As declarações de Zampolli à RAI vieram à tona em meio a um histórico de conflitos com Amanda Ungaro, com quem manteve um relacionamento de cerca de duas décadas. Na entrevista, ao ser questionado sobre uma amiga de sua ex-companheira, ele respondeu: "É uma dessas putas brasileiras, essa raça maldita de brasileiras, são todas iguais." Afirmou ainda que as brasileiras "causam confusão com todo mundo" e seriam "programadas" para isso.

Em fevereiro, Amanda deu entrevista ao GLOBO acusando Zampolli de abuso sexual e violência doméstica. Ela relatou ter sido detida em Miami por acusação de fraude e deportada em outubro de 2025 após, segundo ela, um contato de Zampolli com uma autoridade do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), no contexto de uma disputa judicial pela guarda do filho que teve com Zampolli. O assessor de Trump nega ter agido contra a ex-companheira.

Quem é Zampolli

Figura próxima a Trump há décadas, Zampolli alega ter sido o responsável por apresentar Melania Knauss ao atual presidente em 1998. Como enviado especial, atua em negociações internacionais com foco em acordos comerciais, e descreve sua função como baseada em acesso direto ao poder. "Meu chefe número um é o presidente da América. Recebo minhas instruções da Casa Branca", afirmou.

Ele também se vangloria de promover a venda de aeronaves da Boeing a governos estrangeiros — chegou a se descrever como "o segundo maior vendedor da Boeing no mundo, logo atrás do presidente." A empresa não confirmou a afirmação. Antes da vida política, Zampolli era associado ao mundo da moda e à vida noturna de Nova York.