Impasse nas negociações com o Irã leva Trump a fazer 'promessas vazias', avalia especialista
A apreensão de dois navios porta-contêineres pela Guarda Revolucionária do Irã no Estreito de Ormuz, anunciada pela mídia iraniana, elevou a tensão no Oriente Médio poucas horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prorrogar o cessar-fogo com Teerã.
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Em entrevista ao Jornal da CBN, Vinícius Vieira, professor de Relações Internacionais da FAAP e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirmou que o momento é de "incerteza contínua", com sinais de que o Irã mantém controle estratégico da região e pouco incentivo para retomar negociações. Segundo ele, a dificuldade dos Estados Unidos em impor um bloqueio efetivo no estreito enfraquece o poder de barganha de Washington .
"Enquanto esse cenário perdurar, me parece que os iranianos terão poucos incentivos para sentar novamente à mesa de negociação, porque eles têm um resultado muito mais positivo do que eles mesmos imaginavam quando começaram a reagir aos ataques de Estados Unidos e Israel. Enquanto não houver, portanto, um cenário em que o Irã tenha motivos para sentar e negociar, Donald Trump continuará a entregar ao mundo promessas vazias.
O especialista avalia que Trump tem recuado em seus objetivos iniciais, como a derrubada do regime iraniano e o fim do programa nuclear.
"A questão do programa nuclear iraniano deveria ser o foco das negociações. Mas, reitero: enquanto não houver, por parte do Irã, certezas de que a sua reconstrução, melhor dizendo, será financiada pela comunidade internacional de alguma forma, porque parte da infraestrutura foi ali convalidada pelos ataques de Israel e Estados Unidos, nós não teremos, me parece, nenhum incentivo para que o Irã renuncie a essa tentativa, que, por ora, tudo indica estar sendo bem-sucedida, de cobrar pedágio ali no Estreito de Ormuz."
O impasse também afeta a credibilidade internacional dos Estados Unidos. Aliados tradicionais passam a questionar a capacidade americana de garantir a segurança marítima global, enquanto potências como Rússia e China observam o cenário com cautela.
