Impasse entre EUA e Irã agrava consequências para a economia global, avalia professor
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cancelou o envio de diplomatas americanos ao Paquistão para tratativas de paz com o Irã. Em publicação nas redes sociais, afirmou que a viagem seria "perda de tempo" diante de uma "guerra tremenda em andamento".
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Em entrevista ao Revista CBN, Felipe Loureiro, professor de Relações Internacionais da USP, explica que a decisão interrompeu a expectativa de uma nova rodada de negociações entre EUA e Irã e evidenciou um impasse difícil de ser superado.
"A gente se encontra num impasse. De um lado, os Estados Unidos argumentam que não vão deixar o seu bloqueio naval no Estreito de Ormuz enquanto o Irã não assinar um acordo com eles. E o Irã, por outro lado, diz que não vai sentar para negociar com os Estados Unidos enquanto os Estados Unidos estão bloqueando o Estreito."
Loureiro avalia que a crise já tem impactos na economia global. Os preços do petróleo e do gás subiram cerca de 40% em relação ao período anterior ao conflito, o que tende a pressionar a inflação e afetar o desempenho econômico de diversos países, incluindo o Brasil.
O professor ainda destaca que a falta de confiança entre as partes é um dos principais entraves. Ele lembra que o Irã foi alvo de ataques americanos mesmo durante tentativas de negociação, o que compromete a credibilidade do processo diplomático.
"Imagina você ser atacado pelo ator que está negociando com você. Então, o processo de negociação está também muito difícil porque as autoridades iranianas perderam confiança na capacidade dos Estados Unidos de fato de negociar. Mas a saída não tem outro jeito. Elas têm que sentar e têm que chegar a um consenso."
Para o especialista, o primeiro passo para destravar o diálogo seria a suspensão mútua dos bloqueios no Estreito. Em seguida, as negociações teriam que avançar sobre temas mais complexos, como o programa nuclear iraniano, o desenvolvimento de mísseis e o apoio de Teerã a grupos armados na região, como o Hezbollah.
