'Impacto fatal': Repórter do GLOBO mostra mísseis iranianos no céu dos Emirados Árabes que paralisaram maior hub da aviação mundial
Até o início da tarde deste sábado, o cenário em Dubai era o de um típico fim de semana de inverno no Golfo: sol a pino e ruas apinhadas de turistas. A normalidade, contudo, desmoronou pouco antes das 13h no horário local (6h, no horário de Brasília). O que começou como ecos distantes de uma ofensiva coordenada por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã rapidamente se materializou sobre as cabeças de quem estava nos Emirados Árabes Unidos. Em menos de meia hora, a retaliação de Teerã alcançou o país, transformando o mais célebre refúgio de neutralidade do Oriente Médio em um palco de guerra.
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'Impacto fatal': Repórter do GLOBO mostra mísseis iranianos no céu dos Emirados Árabes
A escalada foi vertiginosa, e o pânico substituiu o lazer em certas partes da cidade, esvaziando vias expressas e paralisando a metrópole em tempo recorde. Na capital política do país, Abu Dhabi, o impacto foi fatal. O Ministério da Defesa confirmou que destroços de mísseis balísticos interceptados caíram sobre zonas residenciais, resultando na morte de um cidadão paquistanês.
Aeroporto Internacional de Dubai
Filipe Vidon / O Globo
Fragmentos metálicos choveram sobre áreas como a Ilha de Saadiyat e as cidades de Khalifa, Bani Yas e Mohamed bin Zayed. A queda dos destroços resultou em danos materiais e na morte de um civil de nacionalidade paquistanesa. Em Dubai, os principais polos turísticos foram fechados, como Burj Khalifa, o arranha-céu mais alto do mundo, que precisou ser evacuado às pressas.
Mísseis interceptados em Dubai
O pesadelo ganhou novos contornos por volta das 16h. Do chão, foi possível presenciar a chegada de uma segunda bateria de mísseis iranianos. Os artefatos rasgaram o horizonte azul antes de desaparecerem em nuvens de fumaça branca, interceptadas pelos sistemas de defesa. Foi possível assistir tudo a olho nu, e alguns segundos depois, quatro estrondos ecoaram pela cidade.
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A onda de choque fez as janelas tremerem violentamente, provocando gritos de alguns e feições de desespero e dúvida de outros. Uma terceira rodada de estrondos já ecoou desde então, deixando a cidade em compasso de espera.
Enquanto mensagens de emergência são publicadas por autoridades nas redes, ordenando que a população se afaste de escombros sob pena de de determinadas áreas que passarão por varreduras de segurança, a chancelaria dos Emirados endureceu o tom. O governo classificou a ofensiva iraniana — que também mirou as capitais da Arábia Saudita (Riad) e do Catar (Doha) — como uma violação covarde e flagrante da lei internacional.
Embora reforce que a segurança interna segue sob controle graças à alta eficiência de seus escudos anti aéreos, a diplomacia do país foi taxativa: o uso de seu território como arena para acertos de contas de terceiros é “inaceitável”. Os Emirados prometeram solidariedade aos vizinhos atingidos, clamaram por soluções diplomáticas, mas deixaram um aviso inequívoco de que o direito de revidar para proteger sua soberania e sua economia será exercido sem concessões. O governo concluiu reiterando que retém o direito absoluto e legítimo de responder aos ataques para proteger sua integridade territorial.
Um dos impactos mais relevantes é o fechamento repentino do espaço aéreo. O Aeroporto Internacional de Dubai (DXB), terminal mais movimentado do globo para trânsito internacional de passageiros, fechou suas pistas por tempo indeterminado, assim como o Al Maktoum. Fechar aeroportos como o de Dubai não se trata apenas de um transtorno regional, mas de uma fratura exposta na logística planetária.
Colapso do maior hub da aviação global
Com mais de quinhentos voos cancelados ou severamente atrasados logo nas primeiras horas, o caos engoliu saguões lotados de milhares de passageiros agora sem destino. Frotas inteiras de gigantes como Emirates e Etihad estão no chão, sem previsão para voltar a voar.
A Qatar Airways também interrompeu operações em Doha após o fechamento de seu espaço aéreo. Companhias como Air India, Turkish Airlines e Wizz Air cortaram rotas para todo o Oriente Médio. A indiana IndiGo cancelou conexões vitais para a Ásia Central (como Tashkent e Baku) até o final de março, apagando um mês inteiro de conectividade em questão de horas.
