Imigrante preso nos EUA está sob cuidados paliativos após perder sessões de quimioterapia

 

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Um imigrante sem documentos para residência definitiva nos EUA e que sofre de um tipo agressivo de câncer agora está sob cuidados paliativos ao perder várias sessões de quimioterapia, após ficar sob custódia do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA).

Oudone Lothirath, de 57 anos, um refugiado originário do Laos que havia chegados aos EUA ainda criança, na década de 1980, foi detido pelo ICE em Minnesota, em janeiro, o que o impediu de comparecer a quatro das cinco sessões de quimioterapia necessárias para combater o linfoma de Hodgkin.

De acordo com parentes e amigos, embora o estado de saúde de Oudone já fosse grave antes de ser detido pelo ICE, a ausência nas sessões de quimioterapia em decorrência da detenção encurtou ainda mais sua vida.

"Ele estava respondendo muito bem ao tratamento de quimioterapia", disse Christina Vilay, amiga e cuidadora de Oudone, ao jornal "The Independent". "Ele provavelmente teria mais um bom ano pela frente", lamentou ela.

Sem o tratamento adequado, o imigrante foi mantido numa instalção do ICE em El Paso (Texas, EUA). Ele dormiu em grandes barracas com outros 60 detidos.

Contexto histórico

Situado no Sudeste Asiático, o Laos foi intensamente bombardeado pelas tropas dos EUA durante a Guerra do Vietnã, um conflito muitas vezes referido como a "Guerra Secreta". O objetivo principal era destruir as rotas de abastecimento usadas pelas forças comunistas norte-vietnamitas para enviar armas e soldados ao Vietnã do Sul, além de apoiar o governo real do Laos contra os guerrilheiros do Pathet Lao durante sangrenta guerra civil.

Após a vitória da guerrilha comunista em 1975, milhares de laocianos, incluindo muitos que apoiavam o antigo regime ou os EUA durante a "Guerra Secreta", fugiram do país — muitos chegaram ao território americano como refugiados.

O Laos carrega a triste fama de ser "o país mais bombardeado do mundo", com a aviação de guerra americana lançando milhões de bombas entre 1964 e 1975, o que gerou um forte vínculo histórico e de refúgio com os EUA.