Imigrante albanês ganha direito de permanecer no Reino Unido com argumento inusitado

 

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O albanês Klevis Disha, de 39 anos, ganhou o direito de permanecer no Reino Unido depois de um grande imbróglio judicial e uma justificativa nada comum: ele alegou que o filho de 11 anos não pode sair da Inglaterra porque não gosta de nuggets de frango servidos em outros países.

Em 2001, quando tinha apenas 15 anos, Klevis entrou ilegalmente no Reino Unido como "menor desacompanhado". Dois dias depois de chegar ao país, o albanês emitiu um pedido de asilo, alegando perseguição política. Ele também declarou que nasceu na Iugoslávia em 1986 e forneceu um nome falso ao governo.

O pedido de asilo foi negado porque, na época, o ministro do Interior não se convenceu de que Klevis "tinha um temor bem fundamentado" acerca das questões de perseguição. O imigrante recorreu da decisão e o caso se arrastou por quatro anos. Em 2005, enfim, ele ganhou uma "autorização de residência permanente".

Klevis se casou e teve três filhos no Reino Unido e, em 2017, voltou a ter problemas com a Justiça por ter sido pego em flagrante com 250 mil libras (R$ 1,75 milhões). A origem do dinheiro não foi comprovada e, posteriormente, investigações inidicaram que a quantia teve "origem criminosa".

Por causa disso, o imigrante foi condenado a dois anos de prisão. A sentença, superior a um ano, seria ainda mais grave para Klevis que, na condição de estrangeiro, teria que ser deportado segundo as leis do Reino Unido.

Em 2019, a vida do imigrante se complicou ainda mais quando a então Secretária do Interior, Dame Priti Patel, cassou a sua cidadania britânica alegando que ela havia sido adquirida por meio de fraude.

Dame Priti Patel, secretária do interior em 2019, que cassou a cidadania britânica de Klevis Disha

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O processo de deportação se intensificou e, para evitar a saída forçada do país, Klevis disse à Justiça que não poderia deixar o Reino Unido porque o filho não gostava de nuggets de frango albaneses nem de outros lugares do mundo; apenas dos produzidos no Reino Unido.

Em 2024, a justiça determinou a não deportação do albanês, acatando as justificativas em favor do filho e concordando com a permanência "por motivos de direitos humanos". A decisão, no entanto, foi anulada pelo Ministério do Interior, que não achou as justificativas suficientes para impedir a deportação.

O caso se arrastou por mais de um ano até que, na última terça-feira (17), uma juíza do tribunal da primeira instância decidiu que, de fato, Klevis não poderia ser deportado porque o filho "tem dificuldades com certas texturas de alimentos e uma dieta limitada". A criança portanto, foi considerada um caso "especial", que precisa de apoio contínuo, o que justifica a permanência do albanês e da família no Reino Unido.

Reações

No ano passado, o integrante do Ministério do Interior Chris Philp declarou furiosamente:

"Este caso demonstra como requerentes de asilo fraudulentos e criminosos estrangeiros estão a explorar impiedosamente as leis de direitos humanos e a fragilidade dos juízes para permanecerem no Reino Unido, quando o bom senso indica claramente que deveriam ser expulsos."

Chris Philp, integrante do Ministério do Interior no ano passado, ciriticou a manutenção de Klevis Disha no Reino Unido

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Robert Jenrick, hoje membro do Parlamento britânico, criticou duramente o caso, classificando-o como "estarrecedor" e afirmando ser "absurdo que um juiz considerasse a permanência do imigrante criminoso no país".

Robert Jenrick, hoje membro do parlamento britânico, também criticou duramente o caso do albanês

AFP

Dados do Ministério da Justiça do Reino Unido indicam que 80.333 pedidos de asilo aguardavam julgamento em dezembro do ano passado, mais que o dobro dos 41.987 registrados no mesmo período de 2024.