Imagens inéditas do interior carbonizado mostram destruição após incêndio em boate na Suíça que deixou 41 mortos
A promotoria de Sion e o Ministério Público, no estado de Valais, na Suíça, divulgou nesta quarta-feira (11) novos documentos da investigação sobre o incêndio que matou 41 pessoas e deixou outras 115 feridas, algumas com queimaduras graves, na boate Le Constellation, em Crans-Montana, na véspera do Ano Novo. O material reúne dezenas de fotografias do interior do local, plantas da casa noturna e trechos de imagens de câmeras de vigilância.
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As fotos mostram o porão onde o incêndio teve início pouco depois da meia-noite, quando o espaço estava lotado. Segundo a investigação, o fogo começou após velas pirotécnicas presas a garrafas servidas nas mesas incendiarem os painéis de espuma instalados no teto, material que aparece pendurado e severamente queimado nas imagens.
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Única rota de fuga era estreita e contribuiu para as mortes
O porão era revestido de madeira, assim como grande parte da mobília, incluindo mesas e bancos, encontrados carbonizados ao lado de sofás de couro, poltronas e banquetas. Garrafas, copos, latas e baldes de gelo permanecem empilhados sobre mesas, indicando que a evacuação ocorreu de forma abrupta. As imagens também evidenciam a escada estreita que ligava o porão ao térreo, a única rota de fuga disponível. Segundo os investigadores, 34 pessoas morreram esmagadas no pé da escada durante a tentativa de saída.
Outros seis corpos foram localizados próximos à porta de serviço no térreo, antes da varanda, que estava trancada na noite do incêndio. As fotos mostram a tranca posteriormente arrombada pelos socorristas. Uma 41ª vítima morreu cerca de um mês depois, já hospitalizada em decorrência das queimaduras.
O material divulgado também retrata o andar térreo e a varanda envidraçada, igualmente atingidos pelas chamas, com mesas e cadeiras viradas em meio à desordem. Em algumas imagens, objetos pessoais, como um chapéu e uma bota, aparecem espalhados pelo chão.
A Procuradoria do Cantão de Valais conduz a investigação sob a coordenação da promotora Beatrice Pilloud. Quatro pessoas são formalmente investigadas: os proprietários do restaurante, Jacques Moretti e Jessica Maric, o ex-funcionário municipal Ken Jacquemoud e o atual chefe do serviço de segurança pública de Crans-Montana, Christophe Balet. As autoridades judiciais da Itália também participam do caso, com a Procuradoria de Roma abrindo um inquérito paralelo.
As apurações iniciais apontam falhas nas inspeções de segurança contra incêndio, que não eram realizadas no local desde 2019. Balet afirmou em depoimento que o município enfrenta há anos falta de pessoal para cumprir o cronograma de fiscalizações e que, em 2025, apenas 119 das cerca de 500 inspeções previstas foram realizadas. A próxima vistoria no Le Constellation havia sido marcada apenas para 2026. Já Jacquemoud declarou que alertou repetidamente a prefeitura sobre a carência de pessoal qualificado, mas ressaltou que os painéis de espuma não faziam parte dos itens avaliados nas inspeções de rotina.
