Ilha Kharg: entenda relevância estratégica de polo petrolífero iraniano que foi alvo de bombardeio dos EUA no Golfo Pérsico

 

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A pequena Ilha Kharg, no norte do Golfo Pérsico, tornou-se um dos pontos centrais da escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã após bombardeios americanos realizados na sexta-feira. Segundo o presidente Donald Trump, a operação militar teve como alvo instalações militares localizadas no local, considerado o principal terminal de exportação de petróleo iraniano.

De acordo com uma autoridade militar americana, os ataques atingiram depósitos de mísseis e minas que, segundo Washington, estariam sendo usados para bloquear rotas internacionais de navegação no Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio global de petróleo. A mesma fonte afirmou que os bombardeios evitaram atingir diretamente a infraestrutura petrolífera da ilha.

Centro vital das exportações de petróleo do Irã

Com cerca de um terço do tamanho da ilha de Manhattan, Kharg concentra instalações responsáveis por aproximadamente 90% das exportações de petróleo bruto do Irã antes do início do atual conflito. A profundidade das águas ao redor da ilha permite a atracação de grandes petroleiros — algo raro no restante da costa iraniana no Golfo Pérsico, onde as águas são mais rasas.

Desde a década de 1960, o país depende da ilha para escoar sua produção de petróleo por via marítima. O local abriga grandes áreas de armazenamento e uma rede de oleodutos conectada a alguns dos principais campos de petróleo e gás iranianos. Uma interrupção nessas estruturas poderia atingir diretamente a economia do Irã e provocar efeitos imediatos no mercado internacional de energia.

Nos últimos anos, o terminal passou a ter capacidade para carregar até dez superpetroleiros simultaneamente. Três grandes complexos energéticos operam na ilha, incluindo a Falat Iran Oil Company, considerada a maior do país.

Relação energética com a China

A China tornou-se o principal destino do petróleo exportado a partir da ilha. O país asiático compra o produto por meio de uma chamada “frota fantasma” de petroleiros, utilizada para contornar sanções ocidentais contra o petróleo iraniano.

As exportações para a China representavam cerca de 6% da economia iraniana e equivaliam a aproximadamente metade de todos os gastos do governo do país. Ao mesmo tempo, o Irã respondia por cerca de 13% das importações de petróleo chinesas.

Histórico de ataques

A última vez que a Ilha Kharg sofreu bombardeios significativos foi durante a Guerra Irã‑Iraque, nos anos 1980. Na época, forças iraquianas sob o comando de Saddam Hussein realizaram ataques intensos contra a infraestrutura petrolífera da ilha, causando grandes danos. O Irã, no entanto, conseguiu reconstruir posteriormente as instalações.


Após os ataques desta sexta-feira, um alto funcionário do Ministério do Petróleo do Irã afirmou que os bombardeios foram “enormes e destrutivos”. Segundo ele, funcionários das refinarias relataram quase duas horas de explosões contínuas que fizeram a ilha “tremer como um terremoto”.


O mesmo responsável, que pediu anonimato por tratar de temas sensíveis, disse que um ataque direto à infraestrutura de petróleo e gás da Ilha Kharg interromperia imediatamente uma parcela significativa das exportações de petróleo do Irã — cenário que poderia provocar forte impacto nos mercados globais de energia.