Igreja Presbiteriana aprova documento que orienta fiéis e pastores a não participarem dos Legendários

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) aprovou nesta terça-feira uma recomendação que orienta pastores, presbíteros, diáconos e membros a não participarem ou apoiarem o grupo Legendários, que se apresenta como uma iniciativa para “restaurar o verdadeiro potencial masculino”. A decisão foi tomada pelo Supremo Concílio, assembleia da denominação, que se reuniu em Manaus.

Leia mais: Passeio do Macuco ficará suspenso por três dias após morte de turista holandês nas Cataratas do Iguaçu, diz ICMBio São Paulo: Coleta de lixo é suspensa em bairros de São Paulo em protesto por morte de gari após atropelamento Os pastores da Igreja entenderam que o movimento é incompatível com a doutrina da religião. Segundo o documento, os Legendários adotam metodologias "pragmáticas, neopentecostais e experienciais" contrárias aos princípios da denominação. O parecer sustenta que essa abordagem relativiza a suficiência das Escrituras e da obra de Jesus Cristo.

A análise foi baseada em um parecer elaborado pelo Sínodo do Tocantins, que criticava a incorporação de práticas inspiradas no ambiente corporativo, como técnicas motivacionais e estratégias de marketing. Entre os exemplos apontados estão gritos de guerra, o uso de camisetas padronizadas e a identificação numérica dos participantes, incluindo situações em que Jesus Cristo seria chamado de “Legendário 001”. Para os religiosos, essas estratégias transformariam a vivência religiosa em "experiência de consumo".

Outro ponto levantado é que atividades como restrição alimentar, esforço físico intenso e pressão psicológica podem provocar estados emocionais posteriormente interpretados como experiências espirituais. O parecer ainda alerta que o movimento pode estimular uma divisão entre os chamados “legendários” e os demais membros da igreja, comprometendo a unidade das congregações e enfraquecendo a autoridade de pastores e conselhos. O que é o Legendários? Nascido na Guatemala, em 2015, com o propósito de "restaurar o verdadeiro potencial masculino" e hoje com mais de 100 mil adeptos no mundo, o movimento cristão Legendários se espalhou no Brasil com o impulsionamento de celebridades e políticos. Até agora, ao menos 17 cidades — inclusive as capitais Campo Grande, Cuiabá e Vitória — e dois estados — Mato Grosso e Paraná — já instituíram como lei o Dia dos Legendários. Além disso, integrantes com maior influência econômica deste movimento que só tem homens passaram a incorporar práticas ligadas ao universo financeiro como uma forma de prosperidade, para atrair novos participantes. No Brasil desde 2017, quando chegou em Balneário Camboriú (SC), o movimento não está ligado a uma religião específica, embora a maioria dos eventos esteja vinculada a grandes denominações evangélicas. Para se tornar um legendário, os homens precisam passar 72 horas em uma montanha, sem contato com o mundo exterior, e superar desafios físicos e espirituais. Levar uma Bíblia é requisito obrigatório. O objetivo é alcançar uma "nova relação" com Deus, com a promessa de que os participantes se tornarão melhores maridos e pais. O preço para subir a montanha como legendário custa em média R$ 1,5 mil, conforme a localidade escolhida. *Com informações de Matheus Santos, da Rede Amazônica

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