O Círio de Nazaré 2027 terá como tema “Maria, Mãe da Palavra que se fez carne”, e o atual diretor-coordenador da festividade, Antônio Sousa, foi reconduzido ao cargo por mais um ano. Os anúncios ocorreram na noite deste domingo (25), durante o encerramento da 234ª edição do Círio, em Belém.
A programação começou com uma missa presidida pelo arcebispo metropolitano de Belém, dom Júlio Endi Akamine, na Basílica Santuário de Nazaré, e foi marcada por um espetáculo piromusical que reuniu música e fogos de artifício. O espetáculo de fogos, realizado na Praça Santuário, teve 4 minutos e 20 segundos de duração, com 3.100 efeitos e 850 disparos sincronizados por computador, ao som das músicas “A Escolhida” e “Quem é Esta que Avança como Aurora”.
A estrutura foi instalada no Centro de Acolhida Coração Imaculado de Maria (CIM), com projeto desenvolvido por Carlo Mantovani e Márcio Santana. Entre os devotos que acompanharam o encerramento estava a aposentada Graça Damasceno, de 77 anos.
Para ela, a noite representou mais uma oportunidade de agradecer pela fé e pela possibilidade de participar das celebrações, apesar das dificuldades enfrentadas ao longo do ano. “Na noite de hoje, eu sinto um alívio por ter conseguido chegar até aqui, com alguns atropelos da doença que tenho”, conta Graça.
A aposentada considera que a experiência de participar das homenagens a Nossa Senhora de Nazaré ultrapassa aquilo que pode ser descrito em palavras. “É uma coisa que você tem que presenciar, que não tem como contar.
Cada um sente a emoção que vem de Nossa Senhora, que é mãe de todos nós”, afirma. A dona de casa Ana Maria Leite, de 52 anos, também acompanhou a programação e destacou o espetáculo piromusical como um dos momentos mais emocionantes da noite.
Ela observou ainda a mudança no horário da apresentação em relação às seis edições anteriores, quando uma projeção na fachada da Basílica fez parte do encerramento. “Uma maravilha, coisa mais linda.
Os fogos foram antecipados, né? Não tem quem não fique emocionado”, diz Ana Maria. Para a devota, a participação no Círio representa uma oportunidade de renovar os agradecimentos pelas conquistas pessoais e familiares.
“Esse ano, acompanhei a nossa santinha, agradeci pela vida e saúde, tudo de bom que ela nos proporciona. Todo ano a gente agradece”, ressalta.
Na coincidência do segundo turno das eleições presidenciais, Ana Maria manifestou o desejo de que o novo período seja marcado por mudanças positivas. “Principalmente com essa decisão importante que está acontecendo agora no nosso Brasil.
Que sejam dias melhores para todos nós”, afirma. Continuidade na organização
Além das manifestações de fé, o encerramento reservou uma novidade para a Diretoria da Festa. Antônio Sousa, que concluía o biênio 2025/2026, continuará responsável pela coordenação do Círio durante 2027.
A decisão foi comunicada após um convite feito pelo arcebispo dom Júlio Endi Akamine e pelo padre Francisco Silva, reitor da Basílica Santuário de Nazaré. “Quando dom Júlio e o padre Silva fizeram o convite para eu continuar, foi uma emoção muito grande, porque o Círio é uma obra de Deus.
Quando a gente faz parte disso, vence o cansaço, supera todas as coisas, porque ganha muita graça”, afirma Sousa. A recondução não corresponde a um novo mandato completo.
Pela regra de organização da festividade, o diretor-coordenador é eleito para um biênio e só pode ser reconduzido por mais um ano. Dessa forma, Antônio Sousa permanecerá à frente da organização durante a edição de 2027, após ter exercido a função em 2025 e 2026.
Apesar da confirmação, o diretor-coordenador ainda não definiu as prioridades da próxima edição. Segundo ele, o planejamento começará após a conclusão das atividades do Círio 2026, com a avaliação do trabalho realizado e a formação de uma nova diretoria.
“A gente ainda não sentou. Temos que concluir amanhã, com o Recírio.
Aí sim, respirar um pouquinho para ver como montar uma nova diretoria, analisar todas as avaliações positivas e negativas, e rezar muito para a gente fazer em grande estilo o Círio 2027”, explica Antônio Sousa. A programação de encerramento também incluiu a última noite do Círio Musical 2026, com apresentação do padre Francisco Cavalcante e do Ministério de Música da Guarda de Nossa Senhora de Nazaré, na Concha Acústica da Praça Santuário, fechando um ciclo de 15 noites de apresentações.
Tema do Círio 2027 destaca Maria como Mãe do Verbo Encarnado A escolha do tema “Maria, Mãe da Palavra que se fez carne” para o Círio 2027 está relacionada aos 20 anos do Documento de Aparecida, que serão completados no próximo ano.
O texto foi elaborado a partir da Quinta Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe e apresenta orientações para a evangelização, destacando o papel de Maria na vida da Igreja e na aproximação dos fiéis com Jesus Cristo. Para o arcebispo de Belém, a escolha permite retomar ensinamentos que permanecem relevantes, apesar das transformações sociais e religiosas ocorridas desde a elaboração do documento.
Para o arcebispo de Belém, a escolha permite retomar ensinamentos que permanecem relevantes, apesar das transformações sociais e religiosas ocorridas desde a elaboração do documento. “É um plano de grande fôlego.
Não somente para um ano, já está completando duas décadas. E aquilo que está no documento continua muito atual para os tempos de hoje”, avalia dom Júlio Endi Akamine.
O Documento de Aparecida também relaciona a figura de Maria à solidariedade e à atenção aos mais necessitados. No artigo 272, ressalta a importância de uma Igreja acolhedora, capaz de promover relações de fraternidade e serviço.
Já o artigo 364 apresenta Nossa Senhora como modelo de discípula missionária, que orienta os fiéis a seguirem os ensinamentos de Jesus. Ao fazer um balanço do Círio 2026, dom Júlio considerou positiva a participação dos devotos e ressaltou a relação entre a devoção a Nossa Senhora e a fé cristã.
“A avaliação é muito positiva no sentido de que fizemos o que tem sido feito: uma grande manifestação de fé. A devoção a Nossa Senhora não tira em nada a centralidade de Jesus Cristo.
Antes, pelo contrário, nos aproxima de Jesus Cristo e também nos ajuda a levá-lo aos nossos irmãos e irmãs”, afirma. O arcebispo também foi questionado sobre o papel do Círio diante das diferenças políticas e ideológicas presentes na sociedade brasileira.
Para ele, a festividade oferece uma oportunidade de encontro entre pessoas que, apesar das divergências, compartilham a devoção à padroeira dos paraenses. “Pessoas de tendências, partidos políticos e ideologias diferentes estão todos no Círio e procuram sempre Nossa Senhora.
Acho que um sinal mais forte do que esse não há”, pontua dom Júlio. Ao defender a superação das divisões, o religioso associou a experiência de comunhão vivida durante as celebrações à necessidade de aproximar pessoas com diferentes posicionamentos.
“Nós não devemos mais construir muros, não devemos cavar mais trincheiras. Devemos buscar aquilo que é comum a todos nós e aquilo que nos coloca em comunhão”, conclui o arcebispo.
SERVIÇO | SUBIDA DA IMAGEM AO GLÓRIA + RECÍRIO 2026 Segunda, 26 de outubro
6h30: Subida da Imagem Original de Nossa Senhora de Nazaré ao Glória, na Basílica Santuário 7h: missa do Recírio, na Praça Santuário, presidida por dom Júlio Endi Akamine
8h: início da procissão do Recírio, a 14ª e última romaria oficial do Círio 2026 Percurso: aproximadamente 800 metros, saindo da Praça Santuário, pelo calçadão, e seguindo pela passagem Dom Alberto, travessa Generalíssimo Deodoro e avenida Nazaré, até o Colégio Gentil Bittencourt
O Liberal