Igreja Católica adverte governo Milei por crise social e pede união da classe política na Argentina

Igreja Católica adverte governo Milei por crise social e pede união da classe política na Argentina

 

Fonte: Bandeira



O arcebispo de Buenos Aires, Jorge Cuerva, advertiu nesta segunda-feira o governo do presidente argentino Javier Milei que o país está à beira de um "desmembramento social" e cobrou da classe política um consenso e diálogo para superar a "paralisia" — em meio a um aumento da crise de confiança do governo e deterioração do poder aquisitivo da população.

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— O povo argentino, apesar das crises crônicas, segue em frente e carrega a pátria nos ombros. Falta-nos uma classe política dirigente que com a força deste povo tenha coragem de dialogar, de se unir e que façam isso pelos que não aguentam mais, os que sofrem com falta de trabalho, educação e oportunidades — disse Cueva, diante de Milei e seu Gabinete, durante um tradicional evento litúrgico em homenagem à Revolução de Maio de 1810. — Não podemos nos permitir ser ingênuos. A sombra de uma nuvem de desmembramento social se aproxima no horizonte enquanto diversos interesses jogam sua partida alheios às necessidades de todos.

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A mensagem da Igreja Católica foi repassada em um momento de tensões sociais após dois anos de severo ajuste econômico e deterioração do poder aquisitivo, somado à precarização do emprego e a retração da atividade econômica, apesar de uma diminuição da inflação. O índice de confiança no governo argentino caio em maio pelo quarto mês consecutivo, segundo uma pesquisa da Universidad di Tella, em meio a preocupações crescentes com os níveis de salário e o desemprego.

A política de corte de gastos público de Milei, apelidada pelo próprio presidente de "motosserra", levou ao fim de um déficit fiscal crônico na Argentina, ao custo de milhares de demissões e redução de verbas para saúde, educação e aposentadorias.

— Temos a enorme responsabilidade de ajudar a curar tantas paralisias pessoais, familiares e também sociais — argumentou o arcebispo, que também conclamou ao diálogo. — Chega de arengar a divisão e a polarização. Comecemos a desarmar a linguagem, renunciado às palavras que ferem, ao julgamento imediato e às calúnias.

O governo atravessa uma crise interna devido a um escândalo envolvendo o chefe de gabinete de Milei, Manuel Adorni, acusado de gastos suntuosos e compras de propriedades sem que tenha conseguido justificar tais pagamentos. O caso está sob investigação judicial.