Um produtor rural de 91 anos perdeu mais de 2,3 mil cabeças de gado em Santiago (RS) após ser vítima de um golpe. O principal investigado é um ex-gerente das suas propriedades rurais, que administrou o rebanho entre 2016 e 2025.
Ele foi demitido após a constatação do desfalque. A investigação da Polícia Civil se iniciou após comunicação da própria vítima.
Os registros oficiais do produtor na Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) indicavam um rebanho de 4.793 bovinos. Uma contagem física nas propriedades encontrou apenas 2.405 animais, um déficit de 2.388 cabeças.
Pelo valor médio de mercado, o prejuízo pode ultrapassar R$ 11 milhões. Nesta quarta-feira (21/10), foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, sendo quatro em Santiago e um no município de São Vicente do Sul.
Na ocasião foram apreendidos 400 bovinos, uma caminhonete Toyota/Hilux, bem como sequestrado um imóvel rural. A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias e criptoativos dos investigados.
Ao todo, seis pessoas são investigadas. Elas podem responder, na medida de sua participação, por apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
A investigação continua para identificar o destino dos animais e de outros bens. Uma contagem física nas propriedades encontrou menos animais do que nos registros oficiais
PCRS/Divulgação Investigação
A análise de Guias de Trânsito Animal (GTAs), notas fiscais e dados bancários obtidos com autorização judicial apontaram indícios de: Transferência de animais dos registros da vítima para o cadastro de produtor de um familiar do investigado, instalado dentro da própria propriedade da vítima, sem pagamento correspondente;
Lançamento de nascimentos de terneiros em cadastros dos investigados no mesmo dia em que os animais eram transferidos para outra propriedade; Notas fiscais de vendas de gado sem nenhuma movimentação financeira correspondente entre as partes.
A investigação apontou ainda a compra de uma caminhonete em janeiro de 2026 e de uma área rural em Santiago em julho de 2026. No imóvel, o valor declarado em escritura foi de R$ 50 mil.
Os extratos bancários, porém, indicam pagamentos de R$ 179 mil ao vendedor. A diferença levou a polícia a investigar também o crime de falsidade ideológica.
Globo Rural