Idosa é detida após confusão em ônibus no Terminal da Macaxeira, no Recife

Idosa é detida após confusão em ônibus no Terminal da Macaxeira, no Recife - Foto
Fonte da notícia: CBN Recife CBN Recife

Uma mulher de 69 anos foi presa em flagrante após um tumulto registrado dentro de um ônibus no Terminal Integrado da Macaxeira, na Zona Norte do Recife. Segundo a Polícia Militar (PM), a passageira teria desobedecido às orientações da equipe, proferido ofensas contra uma policial e feito declarações de cunho racial. A Polícia Civil informou que o caso foi registrado como desacato e desobediência e segue sob investigação.

A ocorrência envolveu um veículo da linha 1906 — TI Pelópidas/TI Macaxeira, operada pelo Consórcio Conorte. De acordo com o advogado Pedro Josephi, responsável pela defesa da idosa, ela retornava de um ato político em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), carregando uma bandeira vermelha, quando foi acusada de injúria racial.

Em nota, o Conorte informou que o motorista orientou a passageira a se afastar da área de visão do retrovisor lateral ou a embarcar pela porta do meio, mas as instruções não teriam sido atendidas. O consórcio também relatou que a mulher manifestou a intenção de colocar a bandeira na parte dianteira do ônibus. Após tentativas de diálogo sem sucesso, a equipe operacional acionou a Polícia Militar.

Segundo o advogado, houve uma discussão entre a mulher e o motorista, que teria se recusado a iniciar a viagem até que a situação fosse resolvida. Ainda conforme o relato da defesa, a polícia condicionou a saída do ônibus à retirada da passageira, que se recusou a deixar o veículo. Em seguida, ela teria sido retirada à força, algemada e encaminhada à delegacia.

O Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM) informou ter recebido relatos não oficiais de que a passageira teria hostilizado os policiais durante a abordagem e afirmou ter adotado providências. Já a Polícia Militar declarou que a mulher resistiu às orientações e dirigiu ofensas a uma policial.

Defesa contesta acusação de injúria racial

Pedro Josephi negou que a conduta da passageira configure injúria racial. Segundo ele, no momento da prisão, a mulher questionou a policial, que também é negra, sobre o fato de estar sendo detida por uma mulher mais jovem. O advogado afirmou que essa foi a declaração feita à agente e ressaltou que a acusação de injúria racial não constou no termo circunstanciado assinado na delegacia.

A defesa também explicou que um primeiro boletim de ocorrência, que previa a condução da idosa para audiência de custódia, foi anulado por falta de informações. De acordo com o advogado, ela não responde por injúria racial, mas por possíveis infrações de natureza administrativa ou civil.

Após a abordagem, a idosa foi levada à Central de Plantões da Capital (Ceplanc), no bairro de Campo Grande, na Zona Norte do Recife. O advogado questionou a necessidade de mantê-la detida e afirmou que a fiança deveria ter sido estabelecida desde o início. Segundo ele, o procedimento precisou ser refeito, e a defesa permaneceu na unidade policial até as 3h da madrugada.

O valor da fiança foi pago pelo Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop), que também prestou apoio à defesa. O caso será analisado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), responsável por avaliar se existem elementos que indiquem a prática de algum crime.

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