ICE faz buscas em casa de deputada americana de origem somali

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A residência da deputada democrata Ilhan Omar na região de Washington, D.C., foi alvo de uma operação de busca na manhã desta segunda-feira (12), como parte de uma investigação criminal federal em andamento, informou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Segundo fontes ouvidas pela emissora americana ABC News, a apuração está relacionada a documentos de imigração da congressista, que é candidata à reeleição nas eleições de meio de mandato, marcadas para daqui a 22 dias.

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A busca foi realizada por agentes do Homeland Security Investigations (HSI), braço de investigação criminal do Departamento de Segurança Interna (DHS) e submetida ao ICE, após a obtenção de um mandado judicial pelo Departamento de Justiça. — Hoje, na região de Washington, D.C., o Homeland Security Investigations executou um mandado de busca autorizado judicialmente e obtido pelo Departamento de Justiça.

Essa ação faz parte de uma investigação criminal federal em andamento — disse um porta-voz do DOJ. As fontes afirmam que a investigação envolve documentos de imigração relacionados à infância de Omar, incluindo registros preenchidos por seu pai, já falecido.

A congressista, que nasceu na Somália e chegou aos Estados Unidos como refugiada quando era criança, vive no país desde os 12 anos e é cidadã americana. Omar negou anteriormente qualquer irregularidade e não foi acusada ou denunciada por nenhum crime.

Após a operação, ela afirmou nas redes sociais que está bem e acusou o governo de usar as forças federais de segurança para perseguir adversários políticos. — Não tenham dúvidas: esta é uma tentativa de atingir inimigos políticos e transformar as forças federais de segurança em uma arma.

Não serei silenciada — escreveu ela, acusando o presidente Donald Trump de persegui-la. Investigação ocorre antes das eleições

A operação ocorre a menos de um mês das eleições de meio de mandato, nas quais Omar busca um novo mandato para representar o 5º distrito congressional de Minnesota. O pleito será realizado em 22 dias, enquanto a votação antecipada no estado começa ainda nesta semana.

Historicamente, o Departamento de Justiça orienta seus procuradores a evitar medidas investigativas ostensivas contra membros do Congresso ou candidatos nos 60 dias anteriores a uma eleição. A operação contra Omar, portanto, ocorre dentro desse período.

Alto funcionário da fronteira do governo Trump, Tom Homan, confirmou a existência da investigação em entrevista à Fox News, mas não forneceu detalhes sobre as suspeitas. — Posso confirmar que um mandado de busca foi executado nesta manhã, assinado por um juiz.

O Departamento de Justiça está liderando a investigação junto com o Departamento de Segurança Interna. Há uma investigação.

Não vou entrar nos detalhes da investigação criminal — afirmou. O vice-presidente JD Vance, que recebeu da administração Trump a missão de liderar esforços contra supostas fraudes, havia afirmado em maio que o governo investigaria alegações de fraude imigratória envolvendo Omar.

Em setembro, Homan também confirmou que o DHS conduzia uma investigação criminal sobre a deputada, sem revelar sua extensão. Histórico de ataques de Trump

Omar é um dos principais alvos políticos do presidente Donald Trump e de integrantes de sua administração. No sábado, durante um comício, Trump voltou a fazer críticas à congressista e associou a comunidade somali de Minnesota a problemas de criminalidade.

Em publicações feitas nas redes sociais neste ano, o presidente também afirmou que Omar "deveria estar na prisão" e deveria ser "enviada de volta à Somália". As declarações de Trump contra a deputada já foram alvo de críticas.

Omar afirmou anteriormente que a retórica do presidente fez disparar as ameaças contra ela. O escritório de Omar classificou a operação como um "abuso de poder ultrajante" e uma escalada sem precedentes no uso das forças federais contra adversários políticos.

Líderes democratas da Câmara, como Hakeem Jeffries, Katherine Clark e Pete Aguilar, também criticaram a operação. Em comunicado, eles disseram que a ação é "profundamente perturbadora" e levanta questionamentos sobre o que classificaram como uso político do governo federal contra adversários de Trump.

O que se sabe sobre a investigação O HSI, responsável pela operação, tem competência para investigar crimes federais como fraude em documentos de imigração, fraude de identidade e fraude relacionada a benefícios imigratórios.

Diferentemente das operações do ICE voltadas à deportação, o HSI atua principalmente em investigações criminais e na execução de mandados federais de busca. Até o momento, as autoridades não divulgaram detalhes sobre quais documentos ou possíveis irregularidades estão sendo investigados.

Também não está claro se Omar estava em sua residência no momento da operação. A congressista foi eleita pela primeira vez para a Câmara dos Representantes em 2018 e se tornou a primeira somali-americana a integrar o Congresso dos Estados Unidos.

Ela representa o 5º distrito de Minnesota e já negou ter cometido qualquer irregularidade relacionada à sua imigração ou documentação.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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