Ibovespa sobe 1% com Vale e retomada da rotação para ações de valor - QTU Questões do Universo

Ibovespa sobe 1% com Vale e retomada da rotação para ações de valor

Fonte: Bandeira da fonte

O Ibovespa opera em forte alta no início da tarde desta segunda-feira, impulsionado pela disparada das ações da Vale.
A percepção entre gestores é de que houve uma retomada do movimento de rotação para ações de valor, que favorece a bolsa brasileira.
Soma-se ao movimento global o resultado da pesquisa eleitoral BTG/Nexus, que mostrou um cenário mais equilibrado entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), com empate técnico entre os candidatos.

Por volta das 13h, o Ibovespa subia 1,03%, aos 172.801 pontos, após oscilar entre a mínima de 169.330 pontos e a máxima de 173.109 pontos.
O volume financeiro projetado para o Ibovespa era de R$ 20,1 bilhões.
Em Nova York, o Nasdaq caía 0,39%, o Dow Jones subia 0,37% e o S&P 500 perdia 0,12%.

As ações ordinárias da Vale avançavam 4,04%, em meio à alta de 1,27% do minério de ferro na Bolsa de Dalian, na China.
Para agentes, há uma normalização do fluxo após a forte retirada de recursos por investidores estrangeiros ao longo de agosto, que soma mais de R$ 23 bilhões.
O movimento tende a ter reflexos mais intensos sobre as ações de maior peso no índice, como as da mineradora.

As ações de bancos também avançavam em bloco, com destaque para as units do BTG Pactual, que subiam 2,24%.

Por outro lado, os papéis ordinários e preferenciais da Petrobras recuavam 2,57% e 2,40%, respectivamente, diante da queda do petróleo no exterior, com investidores realizando lucros após a forte valorização da commodity na semana passada.
Nesse contexto, o mercado aguarda o anúncio de novas medidas dos Estados Unidos contra o Irã.

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, deve realizar uma coletiva de imprensa às 15h (horário de Brasília) para anunciar as “sanções mais duras da história” contra o país, enquanto Teerã prometeu interromper todas as exportações de petróleo do Golfo caso a “guerra econômica” continue.

Na avaliação do sócio-fundador e gestor da Persevera Asset, Fernando Fontoura, a alta do índice é consequência direta da elevada assimetria entre os ativos locais e internacionais e das declarações de Bessent na semana passada, que aumentaram o interesse por ativos reais, como commodities e ouro, favorecendo também os mercados emergentes e o Brasil.

As pesquisas que mostram um cenário eleitoral mais apertado também contribuem para o desempenho dos ativos domésticos, segundo ele, mas não são o fator decisivo.
“É algo macro global e que está ajudando o Brasil”, afirma.

Outro gestor diz que o desempenho ruim das ações de semicondutores e os sinais de aumento de preços pela Nvidia pesam sobre o setor de tecnologia, sobretudo sobre as “hyperscalers”, enquanto, no Brasil, as ações seguem em patamares considerados muito baratos.

Segundo pesquisa feita na semana passada pelo Santander durante a 27ª Brazil Conference, é praticamente consensual entre os investidores (71%) que as ações brasileiras estão sendo negociadas abaixo do preço justo neste momento.
Embora vejam oportunidades, os respondentes se mostraram cautelosos e indicaram que uma mudança efetiva nas carteiras só deve ocorrer quando houver maior visibilidade sobre a trajetória política.

“O mercado não questiona o ‘valuation’ das ações brasileiras.
Ele questiona os catalisadores”, resumiu a equipe do Santander ao analisar os resultados da pesquisa.
Segundo o levantamento, os gatilhos mais importantes mencionados pelos investidores para o mercado acionário local nos próximos seis meses são o cenário fiscal (73%) e o eleitoral (63%).

Entre os destaques acionários, o papel preferencial da Braskem cedia 5,33%.
A companhia diz que vai protocolar, provavelmente no fim da manhã desta segunda-feira, um pedido de recuperação extrajudicial para abrir uma negociação formal com seus credores.

Já a Yduqs ON disparava 13,21%, após a empresa confirmar as negociações com a Afya a respeito de uma possível combinação de negócios envolvendo as companhias.