Ibovespa cai em dia de agenda econômica carregada e risco fiscal no radar

Ibovespa cai em dia de agenda econômica carregada e risco fiscal no radar - Foto
Fonte da notícia: Notícias Veja Notícias Veja

O Ibovespa opera entre leve queda nesta quinta-feira, 29, em meio à divulgação de uma série de indicadores econômicos no Brasil e nos Estados Unidos. No cenário internacional, os investidores repercutem dados da inflação e do PIB americano.

Já a decisão do Federal Reserve (Fed) de manter os juros e reforçar as preocupações com a inflação também afeta as negociações. No mercado doméstico, o risco fiscal continua no radar mesmo após o país registrar superávit primário em setembro.

Por volta das 11h, o Ibovespa recuava 0,17%, aos 170.714,98 pontos. O dólar avançava 0,41%, cotado a 5,36 reais.

Para Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, os indicadores divulgados apontam para cenários distintos: enquanto a economia americana mantém a pressão por juros elevados, o resultado fiscal brasileiro oferece algum contraponto positivo. O PIB dos Estados Unidos cresceu 3,4% em ritmo anualizado no terceiro trimestre, acelerando em relação à expansão de 2,2% registrada anteriormente e superando as projeções do mercado.

Uma economia mais forte reduz a urgência de cortes de juros pelo Fed. Já a inflação americana subiu 0,5% em setembro e passou de 3,4% para 3,6% no acumulado de 12 meses.

O resultado veio em linha com as expectativas e, portanto, não representou uma surpresa inflacionária, mas reforçou a dificuldade de levar a inflação à meta de 2%. Continua após a publicidade

Segundo Murad, os dados pressionam a Bolsa brasileira ao reforçar a perspectiva de juros elevados nos Estados Unidos, diante de uma economia aquecida e de uma inflação que ainda não desacelera o suficiente. “Para a Bolsa brasileira, isso significa maior concorrência dos investimentos americanos e pressão sobre o custo de capital, que reduz o valor atribuído aos lucros futuros das empresas e causa pressão sobre o índice”, afirma.

Continua após a publicidade Brasil tem superávit em setembro, mas quadro fiscal ainda pesa sobre o Ibovespa

No campo fiscal, o Brasil registrou superávit primário de 4,83 bilhões de reais em setembro, o melhor resultado para o mês desde 2023. O desempenho positivo, porém, foi influenciado pelo cancelamento de 12,8 bilhões de reais em precatórios pelo Poder Judiciário.

Sem esse efeito, o país teria registrado déficit primário. Além disso, as despesas públicas cresceram 2,4% em termos reais, ou seja, descontada a inflação.

Continua após a publicidade Para Eduardo Gonçalves, gestor de portfólio da Aurum Wealth Management, o resultado pode parecer favorável à primeira vista, mas reflete um efeito não recorrente.

“Isso não resolve a questão do crescimento do endividamento, o que mantém as dúvidas do mercado em relação ao quadro fiscal do país”, conclui Gonçalves. Publicidade

Publicação Original Notícias Veja veja.abril.com.br
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →