Após avançar durante a maior parte do pregão, o Ibovespa recua no início da tarde desta quinta-feira (5), pressionado pela piora no exterior, mas com perdas bem mais moderadas que as das bolsas americanas. As preocupações de que a consolidação da maioria democrata na Câmara e no Senado dos Estados Unidos leve a novas regulações para o setor de tecnologia pesam sobre Wall Street e levam o Nasdaq a cair mais de 5% em Nova York, influenciando os negócios na bolsa local.
Além do cenário internacional, os investidores mantêm no radar os temores com a política fiscal do quarto mandato do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por volta das 13h, o Ibovespa caía 0,50%, aos 166.721 pontos, após oscilar entre a mínima de 166.603 pontos e a máxima de 168.994 pontos.
O volume financeiro projetado para o índice era de R$ 27,7 bilhões. Em Nova York, o Nasdaq caía 5,16%, o S&P 500 perdia 3,40% e o Dow Jones operava em queda de 2,37%.
O presidente Lula (PT) se reuniu nesta manhã com integrantes da equipe econômica e e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, além de nomes próximos ao chefe do Executivo, como os ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad e Guido Mantega. Como informou o Valor, a pauta foi a dívida pública e as possibilidades de ajuste fiscal.
Assim, participantes do mercado observam com atenção as sinalizações sobre um ajuste fiscal. "Se isso [a reunião] é bom, eu não sei.
Mas por ser o último mandato dele, deveria tentar entregar um equilíbrio das contas públicas maior", diz um gestor. No entanto, a forte queda das bolsas em Wall Street contaminou os ativos locais.
Assim, os bancos passaram a cair com mais força e a maior parte dos papéis opera em queda. Entre os destaques, Bradesco PN recua 2,13% e Itaú Unibanco Holding PN perde 0,76%.
Na liderança das baixas, Tenda ON recuava 13,97%, após resultados aquém das expectativas da XP, que os classifica como “fracos”, principalmente em razão do pior desempenho da margem bruta no trimestre. Para os analistas Ygor Altero e João Rodrigues, a receita líquida veio amplamente em linha com suas estimativas, ao somar R$ 1,25 bilhão.
A margem bruta consolidada, entretanto, foi o “principal motivo da frustração”, ao recuar 4,8 pontos percentuais em relação ao segundo trimestre, ficando 3,3 pontos percentuais aquém do que previa a XP. Na sequência, Embraer ON perdia 4,95% e WEG ON caía 4,20%.
Na ponta positiva, C&A ON subia 8,52%, após resultados no terceiro trimestre. Apesar das vendas mais fracas, as margens apresentaram ganhos sequenciais, e o Citi avalia que o conjunto pode oferecer algum alívio às ações.
Já a ação ordinária da Cosan avançava 8,37%, após o UBS BB elevar a recomendação do papel de neutra para compra, com preço-alvo de R$ 4,70.
Valor