Ibovespa acumula alta expressiva neste ano: ainda vale a pena investir no principal índice da Bolsa?
Após o patamar recorde registrado em 14 de abril, aos 198 mil pontos, o Ibovespa, índice composto pelas 84 empresas mais negociadas na Bolsa brasileira, a B3, desacelerou o ímpeto firme que vinha registrando ao longo do ano, mas ainda assim registra valorização de 15% em 2026.
Esse percentual supera e muito o acumulado do ano para quem investiu em títulos do Tesouro, na poupança e em rendimentos atrelados à Taxa Selic (taxa básica de juros definida pelo Banco Central), como CDBs de bancos e os populares cofrinhos oferecidos por fintechs.
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Para efeito de comparação:
O rendimento acumulado da caderneta de poupança desde 1º de janeiro foi de pouco mais de 2,6%;
Títulos do Tesouro atrelados à Taxa Selic valorizaram 4,6%, segundo um fundo da Anbima que acompanha o rendimento;
os investimentos bancários atrelados ao CDI (taxa que acompanha a Selic), como os CDBs e cofrinhos, subiram 4,5%.
Mas para quem não conhece tanto a renda variável e apesar dos fatores que tendem a continuar empurrando o índice para novas máximas, o índice pode seguir rendendo valorizações expressivas como a vista até aqui?
Para Andrés Kikuchi, chefe de investimentos da Nu Asset Management, o ímpeto de valorização da Bolsa brasileira, que não começou esse ano, deve seguir demonstrando ritmo de avanço em 2026:
— O que a gente entende é que esse movimento começou no meio do ano passado e continua esse ano com perspectivas positivas com cenário de realocação global bastante pertinente para países emergentes, entre eles o Brasil — afirmou ele, que vê como fatores para o movimento seguir o ciclo de redução nos juros no Brasil e a grande exposição de companhias atreladas à commodities.
Não se deixe levar pelo FOMO
Para a educadora financeira Carol Stange, a valorização expressiva alcançada até aqui é psicologicamente importante, mas jamais deve ser utilizada como único balizador para a decisão de investimento:
— A principal orientação para quem está começando é: não invista guiado pelo FOMO (sigla em inglês que significa “medo de ficar de fora”). Ver o Ibovespa subir atrai muitos olhares, mas a Bolsa não é um bilhete de loteria. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura! — ela diz, lembrando que o ano eleitoral deve embutir maior volatilidade nos ativos de renda variável.
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A toada do investimento estrangeiro, que já supera os R$ 58 bilhões na B3 em pouco mais de quatro meses e já representa mais do que o dobro de todo o dinheiro aportado pela classe no ano passado, tende a seguir positiva, influenciando positivamente no patamar do índice.
— Olhando a perspectiva do Ibovespa, ainda há bom espaço de valorização à frente. Mesmo com o atual patamar, a gente enxerga que existem opções (de companhias) que não se valorizaram tanto e que fazem sentido de investimento — Larissa Frias, planejadora financeira do C6 Bank, sobre companhias para além das que registram valorização firme e ainda possuem espaço para crescer.
Ótica de longo prazo
Para Carol, é fundamental que o investidor já tenha acumulado em sua carteira de investimentos uma reserva de emergência consolidada em aplicações de renda fixa. Este montante serve para, em eventuais ocasiões que o investidor não contava em passar, não precise do valor aplicado na Bolsa, que pode variar negativamente:
— Sim, pode haver prejuízos no curto e médio prazo. A Bolsa sobe caindo; ou seja, a trajetória de alta é cheia de solavancos — ela diz.
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Larissa, do C6, afirma que há incertezas do lado doméstico que podem contribuir com a volatilidade. Por conta disso, o investidor precisa ter em mente que a quantia aplicada em Bolsa pode sofrer altos e baixos.
—A situação fiscal continua muito delicada, historicamente um ano eleitoral mexe bastante com o mercado. São muitas variáveis que podem continuar trazendo oscilação. E índice mais caro, a oscilação custa um pouco mais — ela fiz.
Fundos são boa opção
Na traseira de blue chips, ações mais negociadas que apresentam valorização firme no ano, Larissa ainda vê companhias de setores estratégicos que ainda apresentam percentual menor de valorização no ano com um espaço maior para registrar alta. Na dúvida, ela recomenda o pedido de auxílio a um profissional, para quem não conhece tanto o mundo da renda variável:
— Nesse exato momento, o que costumamos recomendar é a gestão ativa de ações brasileiras. O profissional de investimentos vai fazer uma busca mais aprofundada do que só comprar o índice, já que outras empresas ainda tem espaço, tem preço atraente, ou vai fazer carteira defensiva para um comportamento melhor — ela diz.
Para Carol, uma boa opção para iniciantes são os fundos de investimentos listados em bolsa (ETF, na sigla em inglês).
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— É um instrumento excepcional para todo tipo de investidor, em qualquer fase da vida financeira — ela diz. Kikouchi, da gestora do Nubank, também vê o veículo com bons olhos:
— Traz todo um ecossistema favorável: desde a diversificação, a simplicidade, a redução da complexidade no final do dia, de forma eficiente, com custos menores. E o empoderamento ao investidor, pois ele passa a ser tomador de decisão de uma forma que não era permitido no passado — afirma.
ETF do Ibovespa tem alta demanda
Levantamento da consultoria Elos Ayta mostrou que o BOVA11, ETF que replica as ações do Ibovespa gerido pela BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, superou R$ 1 bilhão por dia em volume financeiro médio nos três primeiros meses do ano. É o maior movimento para o índice listado desde o fim de 2021.
Se fosse uma ação, o ETF seria o quarto ativo mais negociado no mercado brasileiro, atrás apenas das ações da Vale, papéis preferenciais da Petrobras e do Itaú Unibanco.
— O aumento da liquidez não é pontual. Ele acompanha uma mudança mais ampla no mercado brasileiro, com os ETFs ganhando espaço como instrumento central de alocação — afirma Einar Rivero, sócio fundador da Elos Ayta.
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Carol Stange faz a associação de investir em ação por ação com a construção de uma casa, e que os ETFs ajudam a dirimir análise rebuscada de cada uma das companhias.
— Você poderia contratar separadamente um eletricista, um encanador, um pintor, um carpinteiro, um pedreiro, e coordenar tudo isso sozinho. Demandaria cuidado, acompanhamento, conhecimento, pesquisa, gestão. Ou você poderia contratar um empreiteiro, que já vem com todos esses profissionais integrados, seguindo um projeto já testado, aprovado e otimizado — associa Carol. — Você não precisa escolher qual ação comprar, em que proporção, quando rebalancear. Tudo já vem feito, estruturado e gerenciado.
A B3 disponibiliza pelo menos oito fundos que perseguem seu principal índice, que podem ser comprados como uma ação.
O que são os pontos do Ibovespa
O Ibovespa é o principal termômetro do desempenho médio das ações mais negociadas e mais representativas da Bolsa. O índice é composto por uma carteira virtual, com 79 ações de 76 empresas brasileiras.
Só que elas são representadas por um certo peso, uma participação na composição que varia conforme sua representação de negociação na Bolsa brasileira. Há nesse conjunto papéis de companhias do setor financeiro, varejistas, de bebidas e alimentos e de commodities (como mineradoras e petrolíferas).
Quando o Ibovespa sobe, significa que as empresas que compõem o índice estão se valorizando, atraindo o interesse dos investidores. Essa valorização é medida em pontos, em que cada ponto equivale a R$ 1. A B3 realiza cálculos para entender qual é o valor do somatório daquela carteira de ações, que se torna o valor do índice.
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