Ibaneis deixa governo do DF para disputar o Senado sob pressão de denúncias e desgaste político

 

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O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, deixa o cargo neste sábado (28) para disputar uma vaga ao Senado, após dois mandatos consecutivos à frente do Palácio do Buriti. A saída ocorre dentro do prazo legal de desincompatibilização, mas em um cenário de crise política, denúncias e desgaste com aliados.

Ibaneis encerra a gestão sob acusações de envolvimento em negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em depoimento, que se reuniu ao menos duas vezes com o governador — uma delas na residência oficial — para tratar da possível compra do Master pelo BRB.

Ibaneis admite um dos encontros, mas nega ter discutido o tema. Segundo ele, ‘entrou mudo e saiu calado’. No entanto, mensagens extraídas do celular de Vorcaro indicam uma versão diferente. Em conversa com a namorada, o empresário afirmou estar em Brasília com o governador ‘para traçar estratégia de guerra’, uma semana antes de o Banco Central do Brasil barrar a operação.

Outras suspeitas envolvem o escritório de advocacia ligado ao governador, o Ibaneis Advocacia, que teria fechado contratos milionários com a empresa Reag na venda de honorários de precatórios. Inicialmente, Ibaneis afirmou estar afastado da sociedade desde 2019, atribuindo a condução dos negócios ao filho, o advogado Caio Barros. Posteriormente, diante da revelação de contrato com sua assinatura como avalista, o governador mudou o tom e declarou que ‘no dia que vender precatório for crime, muda de país’.

As relações entre o público e o privado também são questionadas em contratos de patrocínio do BRB com o Clube de Regatas do Flamengo. A oposição aponta que, mesmo em cenário de dificuldades financeiras, o banco renovou acordo com o clube por cerca de R$ 42 milhões. Torcedor declarado do Flamengo, Ibaneis sempre defendeu o contrato e negou irregularidades.

Diante das denúncias, partidos de oposição protocolaram ao menos oito pedidos de impeachment contra o governador — todos arquivados. Na Justiça, ações pedem, entre outras medidas, a indisponibilidade de bens do chefe do Executivo local. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal e aguarda análise do ministro André Mendonça. Até o momento, Ibaneis não é formalmente investigado.

O avanço de uma possível delação premiada de Vorcaro chegou a gerar pressão entre aliados para que o governador desistisse da candidatura ao Senado. Ainda assim, Ibaneis afirma que manterá o plano eleitoral.

Além das questões judiciais, o governador enfrenta perda de apoio político, especialmente entre aliados do bolsonarismo no Distrito Federal. Na disputa ao Senado, deve enfrentar uma chapa competitiva formada por Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL.

A relação com o grupo também sofreu abalos após os atos de Ataques de 8 de janeiro de 2023. Ibaneis foi afastado do cargo por decisão do STF, sob acusação de omissão, e permaneceu fora da função por 64 dias. Posteriormente, retornou ao governo e teve as acusações arquivadas.

Na gestão, Ibaneis também deixa promessas não cumpridas, sobretudo na área da saúde. O plano previa a construção de 17 unidades básicas de saúde (UBSs) e dois hospitais regionais. Até o momento, nenhum hospital foi entregue e apenas três UBSs foram inauguradas.