IA pode cuidar do seu dinheiro? Entenda até onde a tecnologia deve chegar

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A inteligência artificial já começa a participar de decisões financeiras, como a escolha de investimentos de renda fixa, e pode assumir tarefas cada vez mais complexas no futuro. A tecnologia poderá, por exemplo, acompanhar uma carteira de investimentos e até realizar operações de compra e venda de ativos, de acordo com o perfil do investidor e as condições do mercado. Mas até onde é seguro deixar o próprio dinheiro nas mãos de uma IA? A discussão foi tema de um dos painéis do Inter Invest Summit, que aconteceu neste sábado (26), em Belo Horizonte. Promovido pelo Banco Inter, o evento reuniu especialistas para discutir investimentos, tecnologia, economia e comportamento financeiro. O TechTudo também entrevistou o CIO do Inter, Guilherme Ximenes, para entender as possibilidades da tecnologia dentro do super app do banco e como a IA pode transformar a relação das pessoas com o dinheiro. 🔎 Qual é o melhor banco digital de 2026? Compare as 13 principais opções Inter Invest Summit reuniu milhares de pessoas em Belo Horizonte para falar sobre investimentos e comportamento financeiro Aline Barbieri/TechTudo 📱 Comparador de celulares do TechTudo: analise preços, ficha técnica e recursos 📝 O que fazer quando app do banco fica fora do ar? Comente no Fórum do TechTudo Da antifraude ao Pix: onde a IA já está no seu dinheiro Antes mesmo de a inteligência artificial virar tendência, a tecnologia já era usada em operações financeiras. No Banco Inter, por exemplo, a IA tradicional, baseada em machine learning, é utilizada nos bastidores do aplicativo, em sistemas de antifraude, análise de crédito e personalização da experiência do cliente. Um exemplo é a análise de uma transferência via Pix para verificar se aquela operação e seu destino são confiáveis. Essa é a parte que normalmente passa despercebida pelo usuário, mas existe também uma frente de IA generativa, popularizada por ferramentas como ChatGPT, que passou a ocupar uma posição mais visível dentro do aplicativo. Nesse contexto, entra a Seven, assistente virtual do Inter que já conta com mais de 80 agentes de inteligência artificial. A ferramenta pode conversar com o cliente sobre suas próprias informações financeiras. Por exemplo, em vez de procurar manualmente uma série de lançamentos no extrato, o usuário pode perguntar quanto gastou com determinado tipo de serviço ou assinatura. A proposta é que a interação com o banco se torne cada vez mais parecida com uma conversa, sem depender exclusivamente da navegação por telas, menus e botões. Inter Invest Summit: a IA já pode ajudar a investir dinheiro Aline Barbieri/TechTudo IA já ajuda a investir, mas tem limites Se a IA já pode ajudar o cliente a entender melhor seus gastos, ela pode também ajudar a investir? No Banco Inter, a tecnologia vem caminhando nessa direção, mas o avanço acontece de maneira mais cautelosa quando envolve investimentos. A Seven já atua em situações envolvendo aplicações de renda fixa. Um exemplo acontece quando um investimento de renda fixa é resgatado e o dinheiro volta para a conta do cliente. Nesse momento, a assistente virtual pode entrar em contato para perguntar se ele deseja investir novamente e apresentar uma opção de renda fixa. No entanto, existem limites regulatórios e, por isso, a ideia é avançar gradualmente nessa direção. Outro ponto importante é o perfil do investidor, que deve ser sempre levado em conta antes de recomendar uma aplicação. Isso significa que a IA não deve simplesmente olhar para o dinheiro disponível na conta e escolher qualquer investimento. Uma pessoa com perfil conservador, por exemplo, não deveria receber uma recomendação de um ativo incompatível com seu perfil. É justamente nesse ponto que a perspectiva para os próximos anos fica mais ampla. Para o CIO do Inter, Guilherme Ximenes, uma IA poderia acompanhar continuamente uma carteira e combinar informações sobre o mercado com as características de cada investidor. Em um cenário futuro, ela poderia identificar mudanças nas condições econômicas, avaliar riscos e realizar operações de compra e venda de ativos. “Em algum momento futuro, de forma segura, regulada e respeitando todas as regras, você pode ter a IA fazendo a gestão do seu portfólio inteiro, o tempo inteiro. Ela pode seguir uma carteira ou um índice, pode comprar e vender, combinando com informações do mercado. Acho que o céu é o limite nesse sentido”, afirma Guilherme. IA vai ajudar o investidor ou automatizar seus erros? Delegar uma decisão financeira para uma inteligência artificial levanta uma questão importante: a tecnologia ajudaria o investidor a tomar decisões melhores ou pode deixar as pessoas mais preguiçosas e automatizar seus erros? O próprio CIO aponta esse dilema. Investidores humanos estão sujeitos a diferentes vieses comportamentais. Em momentos de medo, por exemplo, uma pessoa pode entrar em pânico e vender seus investimentos. Em momentos de euforia ou ganância, pode fazer o movimento contrário e comprar justamente quando os preços estão elevados. “O quanto a IA vai ajudar nesses vieses nossos, ou o quanto ela vai automatizar o erro em escala? É uma boa discussão e ainda temos muito a percorrer nesse sentido”, reflete Guilherme Ximenes. Além dos erros de decisão, existe outro possível efeito da automação: o usuário pode ficar menos atento ao que está acontecendo por confiar demais na IA. O desafio é encontrar um equilíbrio entre usar a tecnologia para facilitar decisões sem deixar de acompanhar o próprio dinheiro. A discussão se torna ainda mais relevante conforme as ferramentas deixam de apenas responder perguntas e passam a executar tarefas. No Inter, por exemplo, a Seven já conta com um agente capaz de realizar Pix a partir de um comando em linguagem natural. Em vez de passar por várias telas do aplicativo, o cliente pode informar o que deseja fazer e deixar que a IA realize a ação. Inter Invest Summit: banco Inter promove evento sobre investimentos Aline Barbieri/TechTudo Quando a IA erra, o que acontece com seu dinheiro? Um dos principais desafios para levar a inteligência artificial ao setor financeiro é lidar com as chamadas “alucinações”, ou seja, quando a IA apresenta uma informação incorreta como se fosse verdadeira. Para Ximenes, a evolução dos modelos já reduziu esse problema, mas operações financeiras exigem uma camada adicional de segurança. Afinal, estamos falando de dinheiro, e não há margem para erros. A estratégia do Inter é combinar dois tipos de tecnologia: a IA generativa, mais probabilística, e os sistemas determinísticos responsáveis pela execução das operações. A diferença pode ser entendida de maneira simples: uma IA generativa pode interpretar uma solicitação feita em linguagem natural, mas o sistema que efetivamente movimenta o dinheiro precisa seguir regras exatas ("se isso, faça aquilo"). Se o cliente pedir para enviar R$ 100 por Pix, por exemplo, a etapa responsável pela transação precisa executar exatamente aquele valor. Não existe margem para a resposta “provável” típica de um modelo generativo. Segundo o CIO, essa combinação entre interpretação por IA e execução por sistemas determinísticos é uma das formas de permitir que a tecnologia seja usada em operações financeiras com maior segurança. “A gente está combinando essas duas arquiteturas, probabilística e determinística, para poder mexer com dinheiro com segurança”, explica Guilherme Ximenes. O que acontece com seus dados quando você usa IA no banco? Diante de tantas inovações e novidades para o consumidor, é preciso ficar atento a outro ponto: segurança e privacidade. Afinal, dados pessoais e financeiros ficam disponíveis no app e são utilizados pelos sistemas de inteligência artificial. A Seven está integrada ao aplicativo do Inter, em um ambiente logado, e utiliza modelos disponibilizados por grandes provedores de tecnologia, como Google, Microsoft e AWS. Segundo Ximenes, o banco mantém acordos com esses provedores para garantir que os dados dos clientes não sejam usados para treinar os modelos. Além disso, o Inter utiliza barreiras de segurança para limitar o comportamento da assistente, considerando que, nesse ambiente, respostas incorretas podem gerar consequências financeiras. “Estamos dentro de um aplicativo financeiro, com toda a segurança que já tem. O cliente usa a assistente de IA lá dentro do app, em um ambiente logado super seguro”, comenta o executivo. Painel debate sobre a revolução causada pela IA nos investimentos, no Inter Invest Summit Aline Barbieri/TechTudo Inter Invest Summit debateu o futuro dos investimentos com IA O Inter Invest Summit é um evento de educação financeira do Banco Inter dedicado a discussões sobre investimentos, economia, tecnologia e transformações do mercado financeiro. A segunda edição do evento reuniu especialistas do mercado financeiro, investidores e nomes ligados à tecnologia em mais de oito horas de programação sobre investimentos, ativos digitais, economia e comportamento financeiro. Um dos destaques foi o painel “Tecnologia a favor do seu bolso. A revolução da AI nas finanças”, que discutiu como a inteligência artificial pode transformar a relação dos consumidores com investimentos e serviços financeiros. O debate contou com a participação do CTO do Inter, Guilherme Ximenes, do fundador do Gorila, Guilherme Assis, e do head de Latam da Drivewealth, Igor Barenboim. Segundo o Inter, a iniciativa faz parte da estratégia do banco de ampliar o acesso à educação financeira e oferecer conhecimento para diferentes perfis de investidores. *A jornalista viajou para Belo Horizonte a convite do Banco Inter. Nubank, Inter, Neon e mais: saiba tudo sobre bancos digitais

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