IA para montar treino de musculação: útil ou arriscado? Especialistas respondem - QTU Questões do Universo

IA para montar treino de musculação: útil ou arriscado? Especialistas respondem

Fonte: Bandeira da fonte

A inteligência artificial deixou servir apenas para automação de tarefas, geração de imagens, análises de dados, para ser utilizada também por aqueles que desejam cuidar da própria saúde, dispensando a ajuda de um profissional.
Um exemplo disso são usuários que montam treinos de musculação usando serviços de IAs.
Com treinos individualizados, o ChatGPT, Claude, Gemini, entre outros, têm sido cada vez mais utilizados por praticantes de academia.
Uma pesquisa realizada pela ABC Fitness em dezembro de 2025 mostrou que cerca de dois terços dos frequentadores de academias recorreram à inteligência artificial ao longo de ano.
Para saber se essa prática é segura, o TechTudo conversou com os coordenadores dos cursos de Educação Física do Centro Universitário Leonardo da Vinci (UNIASSELVI) e do Afya Centro Universitário de Pato Branco, os professores Vanessa Lyra e Fabiano Nazar, além do educador físico Isaac Marins.
Eles explicam em quais situações recorrer à inteligência artificial para montar treinos de academia pode ser perigoso e como utilizá-la como uma ferramenta complementar ao acompanhamento de um profissional pode trazer benefícios à saúde e contribuir para melhores resultados.
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Ferramentas de inteligência artificial ajudam a organizar treinos
Imagem gerada pelo Gemini
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Índice
É seguro pedir um treino à Inteligência Artificial?
Os riscos de seguir treinos feitos por IA
Quem deve evitar essa prática
Erros mais comuns da inteligência artificial
Como usar a IA de forma segura
O futuro da IA na prescrição de exercícios
1.
É seguro pedir um treino de academia à Inteligência Artificial?
Com o crescimento do uso dos serviços de inteligência artificial, se tornou rotineiro o uso dessas ferramentas para facilitar e automatizar as tarefas do dia a dia.
São desde atividades mais complexas, como analisar dados, até aquelas relacionadas à saúde, incluindo a criação de dietas e planilhas de treinos com exercícios físicos para serem feitos em academias.
Dois procedimentos comumente realizados por profissionais habilitados, como de nutricionistas e educadores físicos.
O uso da IA para gerar treinos de academia pode servir como uma ferramenta de consulta complementar ao acompanhamento de um profissional de educação física, explica o coordenador do curso de Educação Física da Afya Centro Universitário de Pato Branco, o professor Fabiano Nazar.
Para ele, a prática não é totalmente segura se usada de forma independente, uma vez que a inteligência artificial não consegue realizar a avaliação completa do usuário como é feito por um profissional de educação física.
Além disso, a ferramenta não consegue observar “a execução do movimento nem ajustar compensações posturais ou desvios de técnica, levando o indivíduo a sérios riscos”, explica o professor.
A professora Vanessa Lyra explica que um treino aparentemente personalizado pode ser apenas uma adaptação textual baseada em informações incompletas.
Com isso, a IA pode dar respostas baseadas em informações e padrões aprendidos, mas não faz uma avaliação individual da pessoa, como um profissional faria.
Pessoas com a mesma idade, peso e objetivo estético apresentam necessidades diferentes durante o treinamento, nisso a orientação de um educador físico é eficiente, uma vez que treinos gerados por inteligência artificial podem ser genéricos, não observando as características de cada usuário.
No entanto, quando utilizada de maneira adequada, a inteligência artificial pode melhorar a experiência de treino, como explica o educador físico Isaac Marins.
O recurso pode ser utilizado por profissionais para organizar os treinos com base em dados fornecidos regularmente pelos alunos.
IA pode servir como uma ferramenta de consulta complementar ao acompanhamento de um profissional de educação física
Reprodução/Magnific
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2.
Os riscos de seguir treinos feitos por IA
Segundo Isaac, considerando que alguns usuários podem recorrer à ferramenta para montar treinos de forma independente, o risco de lesões e de não alcançar os resultados esperados é elevado, já que a IA não é capaz de avaliar, na prática, as limitações e necessidades individuais de cada aluno.
Mesmo que o usuário forneça um prompt detalhado com suas características e a ferramenta gere uma planilha de exercícios alinhada aos seus objetivos, a execução incorreta dos movimentos pode não apenas comprometer a eficácia do treino, mas também aumentar o risco de lesões.
Exercícios como agachamentos, levantamentos, puxadas e remadas, entre outros, exigem coordenação postural, controle motor e percepção corporal.
Sem a supervisão de um profissional que oriente a execução correta de cada movimento, o corpo pode se adaptar para realizar o exercício, porém, sem a técnica adequada, isso pode aumentar o risco de lesões mais sérias.
“Sem supervisão de um profissional, é comum que o aluno compense com segmentos inadequados, use amplitude incompatível com sua mobilidade ou aumente a carga antes de consolidar a técnica”, explica a professora Vanessa Lyra.
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3.
Quem deve evitar essa prática
Idosos, pessoas com doenças crônicas, como hipertensão arterial e diabete, além de indivíduos com cardiopatias, doenças respiratórias, alterações osteoarticulares, obesidade grave, entre outras comorbidades, devem ser acompanhados por um profissional especializado para receberem um acompanhamento mais assertivo.
Na opinião dos especialistas, isso não significa que esse grupo não possa se exercitar.
Pelo contrário, a prática de exercícios físicos, orientada adequadamente por um profissional de Educação Física, e não por uma IA, é fundamental para a promoção da saúde, a prevenção de lesões e a melhoria da qualidade de vida.
Outro grupo que merece atenção são os sedentários e os iniciantes.
De acordo com os professores Vanessa Lyra e Fabiano Nazar, pessoas que estão começando uma atividade física, ao consultarem um serviço de inteligência artificial para montar um treino de academia, podem correr o risco de complicações sérias, uma vez que apresentam falta de consciência corporal e desconhecimento da mecânica dos exercícios aumentando a chance de execução incorreta.

Já para o educador físico Isaac Marins, a IA pode ser uma ferramenta útil para praticantes mais experientes e sem restrições de saúde.
Para ele, com o avanço dessas tecnologias, existem muitos serviços bem atualizados que oferecem resultados satisfatórios.
No entanto, esses recursos geralmente estão disponíveis em planos pagos, o que, segundo ele, limita o acesso.
Ainda assim, Isaac reforça que, mesmo para usuários mais experientes, o acompanhamento de um profissional continua sendo recomendado.
Afinal, por lidarem geralmente com mais peso, uma execução errada traz ainda mais riscos.

IA pode ser uma ferramenta útil para praticantes mais experientes e sem restrições de saúde
Imagem gerada pelo Gemini
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4.
Erros mais comuns da inteligência artificial
Uma observação feita pelos especialistas é o treino padronizado que os serviços de inteligência artificial entregam na hora de montar rotinas de academia para os usuários.
Listas com os clássicos “3 séries de 10 repetições” ou “4 séries de 12 repetições”, por exemplo, são vistas pelos educadores físicos como um dos erros mais comuns ao usar a tecnologia para criar treinos.
“Isso funciona em alguns casos, mas não serve para todos os alunos nem para todos os momentos” explica Isaac.
Isso acontece porque a IA produz modelos genéricos de treinamentos, sem considerar se a sugestão é compatível com a realidade do usuário.
Além disso, uma progressão de carga que não seja correta ou se o exercício não é adequado para aquele aluno podem comprometer a evolução e aumentar o risco de lesões.
“A ferramenta oferece texto e o corpo oferece respostas”, alerta a professora Vanessa Lyra.
Muitos usuários acreditam que treinar mais pode trazer resultados melhores e mais rápidos.
Porém, o corpo precisa de equilíbrio entre treino, alimentação, descanso e recuperação para evoluir.
Exagerar na quantidade de exercícios, principalmente no começo, pode causar mais cansaço e lesões do que ajudar nos resultados.
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5.
Como usar a IA de forma segura
A forma mais segura é usá-la como acompanhamento de um profissional.
O usuário deve fornecer o máximo de informações, tendo em mente que, ainda assim, a IA pode falhar na montagem dos treinos.
Por isso, ela não deve substituir a orientação de um profissional de Educação Física.
Mesmo para praticantes mais experientes que conseguem interpretar criticamente as informações, a ferramenta deve ser usada como algo complementar.
Os especialistas recomendam que a IA seja usada para auxiliar na organização de treinos, acompanhar indicadores de desempenho e incentivar a regularidade da prática.
Para Vanessa Lyra, muitos dos frequentadores de academia desistem por encontrar dificuldades para organizar os horários, planejar os treinos e por não conhecerem todos os exercícios.
“Nesse sentido, a tecnologia pode ser útil para criar lembretes, acompanhar o progresso e tornar o planejamento mais fácil de entender”, recomenda a professora.
No fim, o mais importante é seguir um plano de treino que seja adequado às necessidades da pessoa e que possa ser mantido no dia a dia.
Contudo, todos os entrevistados reforçam: a forma mais segura é utilizar a IA é como ferramenta complementar, mantendo o treino validado por um profissional de Educação Física.
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6.
O futuro da IA na prescrição de exercícios
Segundo o professor Fabiano Nazar, a inteligência artificial não vai substituir o profissional de Educação Física.
No entanto, com a chegada e o avanço da tecnologia, muitos desses profissionais precisarão transformar sua atuação e sair da zona de conforto, integrando novas ferramentas à rotina de trabalho.
O uso da inteligência artificial pode auxiliar na prescrição de treinos, tornando esse processo mais eficiente.
Ao automatizar parte das tarefas, a tecnologia permite que o educador físico dedique mais tempo ao acompanhamento presencial, à análise individual dos alunos e à qualidade do atendimento.
Quando o aluno registra informações como adesão aos treinos, progressão de cargas e frequência semanal, por exemplo, a IA consegue identificar padrões de comportamento e emitir alertas mais precisos sobre uma possível queda no engajamento do que seria possível apenas com a observação do personal trainer.
Já para a professora Vanessa Lyra, esse avanço vai exigir ética dos profissionais.
“O aluno precisa saber quando está recebendo uma sugestão automatizada, quais são seus limites e quando é necessário procurar uma avaliação presencial”, explica Lyra.
Com isso, a IA pode ser uma aliada importante, principalmente para praticantes mais experientes que conhecem os seus próprios limites.
“É preciso saber interpretar o que a IA produz.
Muitos alunos querem entender o porquê do treino e qual é o objetivo por trás de cada exercício criado”, alerta o educador físico Isaac Marins.
O desafio,agora, será encontrar um equilíbrio entre tecnologia e experiência profissional, garantindo que a inteligência artificial seja usada como um recurso de apoio, e não como uma substituta da avaliação e do cuidado de um educador físico.
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