A reeleição do presidente Lula (PT) tende a fortalecer as relações entre Brasil e China e a ampliar a cooperação Sul-Sul, avalia o professor Jiang Shixue, da Universidade Normal de Hangzhou, em artigo de opinião publicado originalmente no jornal chinês Global Times. Segundo Jiang, a continuidade de Lula no cargo tende a preservar a orientação diplomática que aproximou Brasília e Pequim.
Ele afirma que a China mantém o princípio de não interferência nos assuntos internos de outros países, mas vê condições favoráveis para ampliar a cooperação. Entre os setores prioritários, o analista cita inteligência artificial, 5G, energia limpa, minerais críticos e economia digital, que poderiam contribuir para a Nova Indústria Brasil, programa de política industrial do governo.
O professor avalia que uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) poderia aproximar o Brasil de Washington e enfraquecer o compromisso do país com o BRICS. Com Lula, segundo ele, o Brasil poderia intensificar sua atuação na reforma da governança global, no comércio em moedas locais e na cooperação entre países em desenvolvimento.
Jiang interpreta as pressões econômicas e políticas dos Estados Unidos, incluindo tarifas, como uma atualização da Doutrina Monroe. Para ele, a América Latina não precisa escolher entre Estados Unidos e China, e o Brasil, como maior economia da região e membro do BRICS, pode liderar mecanismos de cooperação menos dependentes das grandes potências.
O analista conclui que o quarto mandato de Lula pode consolidar a parceria com a China, ampliar a cooperação tecnológica e industrial e fortalecer o Sul Global. A China é a maior parceira comercial do Brasil desde 2009.
Em novembro de 2024, durante visita do presidente chinês, Xi Jinping, ao Brasil, os dois países decidiram elevar a parceria estratégica e trabalhar pela construção de uma comunidade com futuro compartilhado. O Brasil presidiu o BRICS em 2025, e a China assumirá a presidência do bloco em 2027.
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