Hugo Motta celebra acordo Mercosul-UE: 'Devemos redobrar aposta na cooperação internacional'

 

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, celebrou a aprovação por uma maioria qualificada de países da União Europeia do acordo de livre comércio com o Mercosul, negociado há mais de 25 anos.

Motta afirmou, por meio de publicação em seu perfil no X, que "foi a abertura entre as nações que elevou a civilização, ampliou a prosperidade e reduziu conflitos ao longo da história", e destacou sua importância em meio ao momento de "unilateralismo" e "protecionismo" para um "mundo mais unido".

"Num mundo tentado pelo unilateralismo e pelo protecionismo, devemos redobrar a aposta na cooperação internacional. Por isso, em nome da Câmara dos Deputados, celebro o acordo entre o Mercosul e a União Europeia como um passo importante para um mundo mais unido, próspero e justo", disse.

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O presidente da Câmara ainda afirmou que o acordo trará também oportunidades significativas para os produtores brasileiros, gerará empregos, atrairá investimentos e fortalecerá a inserção do Brasil na economia global.

Próximos passos para o acordo Mercosul-UE

Com a aprovação, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está autorizada a viajar a Assunção, no Paraguai, onde deve assinar o acordo na próxima segunda-feira. O tratado estabelece um marco comercial entre a União Europeia e os países do Mercosul — Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai.

O acordo enfrenta resistência de setores agropecuários europeus e do governo francês, que alegam preocupações relacionadas à concorrência e a padrões ambientais. Mesmo assim, o aval dos países-membros permite o avanço formal do processo de ratificação no bloco europeu.

Oposição da França

O presidente francês Emmanuel Macron havia afirmado na quinta-feira que a França iria votar contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. O posicionamento foi levado à reunião dos embaixadores do Bloco Europeu. Ao lado do país também se posicionaram outros membros do bloco europeu, como Irlanda, Hungria e Polônia.

O tratado prevê a eliminação de grande parte das tarifas e deve impulsionar exportações europeias de automóveis, máquinas, vinhos e queijos, ao mesmo tempo em que facilita a entrada na Europa de produtos sul-americanos como carne bovina, aves, açúcar, arroz, mel e soja, dentro de cotas isentas de impostos.

Esse ponto concentra a principal resistência, sobretudo do setor agrícola europeu e do governo francês, que afirmam que o acordo pode desestabilizar a agricultura local ao permitir a entrada de produtos mais baratos e com padrões ambientais considerados inferiores aos exigidos pela UE. Já países favoráveis, como Alemanha e Espanha, defendem que o tratado pode ajudar a revitalizar a economia europeia, pressionada pela concorrência chinesa e pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Apesar da oposição francesa, analistas avaliam que o voto contrário — incomum para um dos países fundadores da União Europeia — não resolve a crise agrícola interna, marcada por protestos e bloqueios, que tendem a se intensificar nas próximas semanas, inclusive em Bruxelas.