O abastecimento de água no mundo entrou em uma era de falência, após décadas de uso excessivo, poluição e perturbações causadas pelas mudanças climáticas, aponta o relatório “Falência Hídrica Global”, elaborado pelo Instituto para Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas (ONU) e publicado no início do ano.
Diante de um quadro tão grave, cada vez mais empresas estão buscando inovações para economizar água. O Hospital Santa Catarina - Paulista, em São Paulo, por exemplo, implementou um sistema inteligente de reaproveitamento do recurso usado no serviço de hemodiálise.
Rogério Quintella Pirotto, diretor geral do hospital, conta que a ação faz parte do programa ASG+E da Rede Santa Catarina, a partir de uma visão ampliada do ESG (meio ambiente, social e governança), que incorpora também a Espiritualidade como dimensão essencial de atuação sustentável.
“É por meio desse programa que recebemos e debatemos ideias. E foi nele que surgiu a proposta de trabalharmos a questão da eficiência hídrica na área de hemodiálise, que é uma das áreas que mais consomem água em um complexo hospitar”, diz o executivo.
Para se ter uma ideia, em cada sessão de quatro horas são utilizados em média 150 litros de água. No Santa Catarina - Paulista são atendidos por mês cerca de 70 pacientes com disfunção renal para fazer o procedimento que limpa e filtra o sangue, sendo que cada um visita o local três vezes por semana para as sessões.
Segundo Pirotto, antes da implementação do sistema inteligente de reaproveitamento de água o consumo diário da unidade de hemodiálise era de aproximadamente 28.600 litros. Depois dele, caiu para cerca de 10.000 litros por dia, com a manutenção de perdas mínimas estimadas em 200 litros/dia.
“Iniciamos esse trabalho em 2022, e ele alcançou a maturidade em 2026, registrando 65% de economia no consumo de água e 5% de economia no valor da conta de água”, indica. Eric Felix Leal, gerente de Engenharia e Projetos do HSC - Paulista, complementa que a tendência é que esse números sejam melhorados no futuro.
“A tecnologia avança rapidamente, então, pode ser que lá na frente a gente tenha acesso a algo mais eficiente, que consiga reduzir ainda mais o quanto de água utilizamos na hemodiálise”, observa. Como funciona o sistema
A hemodiálise funciona como um rim artificial. Por meio de uma máquina, ela faz a filtragem das substâncias indesejáveis do sangue.
E a água desempenha um papel fundamental nesse processo. Contudo, antes de ser utilizada no tratamento, ela passa por um rigoroso processo de purificação, chamado osmose reversa, para atender aos padrões de qualidade exigidos para a segurança dos pacientes.
Mas tradicionalmente, durante o processo, apenas parte da água se transforma em água purificada, enquanto o restante - rejeito - é descartado. O novo sistema, elaborado em parceria entre uma equipe multidisciplinar do hospital e uma empresa terceirizada, atua após a etapa de osmose reversa.
Em vez de eliminar a água de rejeito, realiza um segundo processo de tratamento e recupera grande parte do volume que seria desperdiçado. A água recuperada retorna ao processo produtivo e o pequeno volume de rejeito secundário é aproveitado para a limpeza dos filtros do equipamento utilizado nas sessões.
"Durante muitos anos, a água descartada na osmose reversa era vista como uma perda inevitável. Hoje, com investimentos em inovação, conseguimos recuperar praticamente todo esse volume e reinseri-lo no sistema", enfatiza Silvia Aline Ferreira Andrade, diretora de operações do HSC - Paulista.
Pirotto completa: “É importante pontuar que a tecnologia, além de promover impacto ambiental, não interfere no resultado final do paciente. Isso significa que, além de ser eficiente do ponto de vista hídrico, ela é totalmente segura para faz a hemodiálise”.
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