Hortaliças gigantes: como chegam a tamanhos fora do normal?

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Fonte da notícia: Globo Rural Globo Rural

No início de outubro, o produtor inglês Ian Paton voltou ao Guinness World Records ao colher uma abóbora de 1.295,8 quilos. O novo recorde superou em 20 quilos outra hortaliça cultivada por Ian e se irmão gêmeo, Stuart, em 2025, eles apresentaram um exemplar de 1.278,8 quilos.

Abóboras de centenas de quilos, repolhos volumosos e beterrabas que ultrapassam o tamanho habitual são resultado da combinação entre fatores genéticos e condições favoráveis de cultivo. Segundo o especialista Geovani Amaro, pesquisador da Embrapa Hortaliças, a fertilidade do solo, o manejo e a seleção de variedades com potencial para produzir hortaliças maiores estão entre os principais fatores que explicam o desenvolvimento desses exemplares.

No caso das abóboras, por exemplo, uma planta que cresce em um solo fértil e produz poucos frutos pode concentrar seu desenvolvimento em um ou dois exemplares, favorecendo o aumento do tamanho. A situação é comum até mesmo em hortas escolares, onde sementes descartadas durante o preparo da merenda podem germinar em áreas com resíduos orgânicos e dar origem a frutos de 20 a 30 quilos ou mais.

O tamanho das hortaliças, porém, não depende apenas do ambiente. A genética também exerce um papel importante.

Existe uma variabilidade natural entre plantas da mesma espécie, que podem produzir frutos, sementes e grãos de diferentes tamanhos. A partir dessa característica, é possível selecionar e cruzar plantas que apresentam maior potencial de crescimento, processo relacionado ao melhoramento genético.

Pé de abóboras pode concentrar seu desenvolvimento em um ou dois frutos, favorecendo o aumento do tamanho Geovani Bernardo Amaro/Arquivo Pessoal

De acordo com o especialista, a seleção natural tende a favorecer plantas que produzem um número maior de descendentes, muitas vezes associado a frutos e sementes menores, especialmente em condições ambientais adversas. Em ambientes favoráveis, essa pressão seletiva pode ser menor, permitindo a permanência de plantas com diferentes tamanhos.

O melhoramento genético, por sua vez, possibilita direcionar a seleção para características específicas, como a produção de frutos maiores. Apesar dessa possibilidade, hortaliças de dimensões muito acima do padrão comercial nem sempre atendem às necessidades do mercado consumidor.

O tamanho mais adequado depende, entre outros fatores, dos hábitos de consumo e da composição das famílias. Abóboras de aproximadamente 1,5 a 2 quilos, por exemplo, podem ser mais práticas para famílias menores, enquanto frutos de 3 a 4 quilos podem atender melhor a famílias maiores.

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Entre as hortaliças, as abóboras e as morangas se destacam pela capacidade de atingir dimensões extraordinárias. Em exposições e competições, alguns exemplares chegam a 300 quilos, meia tonelada ou até mais.

Para alcançar essas marcas, os produtores recorrem a variedades selecionadas para produzir frutos gigantes e a técnicas específicas de cultivo. “O agricultor que consegue atingir isso, combina essas duas coisas”, explica Geovani.

O processo exige cuidados desde a polinização até o desenvolvimento do fruto. Os produtores podem realizar a polinização controlada, proteger as flores e os exemplares em crescimento e manter apenas um fruto por planta, reduzindo a competição por água e nutrientes.

O cultivo em solo fértil, o controle da umidade, da temperatura e da luminosidade e o combate a pragas e doenças também contribuem para alcançar tamanhos excepcionais. Abóboras gigantes com uma chave em cima, para comparar de tamanhos

Geovani Bernardo Amaro/Arquivo Pessoal Embora técnicas semelhantes possam ser aplicadas a outras hortaliças, cada uma tem características próprias.

No repolho, a seleção busca ampliar a cabeça formada pelas folhas; na beterraba, o desenvolvimento de uma raiz tuberosa maior; e nas abóboras moranga, o crescimento do fruto. O cultivo de exemplares gigantes está mais associado a exposições e competições do que à produção comercial de alimentos.

Nesses eventos, o objetivo é superar recordes e demonstrar os resultados obtidos com a seleção genética e o manejo especializado. O tamanho, porém, não significa necessariamente melhor qualidade para o consumo.

Segundo o pesquisador, abóboras morangas cultivadas para atingir dimensões extremas podem apresentar sabor inferior ao de frutos menores. Após as exposições, os exemplares podem ser destinados à alimentação de animais, à degustação ou à produção de composto orgânico.

Dessa forma, mesmo quando não são aproveitados integralmente para o consumo humano, ainda podem ter uma destinação útil. A capacidade de conservação pós-colheita também favorece a participação em exposições, pois permite manter os frutos por determinado período e apresentar os resultados ao público.

Nutrientes equilibrados ajudam a evitar rachaduras A nutrição da planta é decisiva para o desenvolvimento de frutos grandes.

O fornecimento de nitrogênio, potássio, cálcio e magnésio precisa ser equilibrado para favorecer o crescimento sem comprometer a integridade do fruto. O nitrogênio, por exemplo, contribui para o desenvolvimento da planta, mas seu excesso pode provocar problemas, como rachaduras nas abóboras.

A disponibilidade de água também exige atenção. Mudanças bruscas na umidade durante o crescimento, especialmente quando períodos de maior disponibilidade de água são seguidos por exposição ao sol, podem prejudicar os frutos.

Nas hortas escolares, entretanto, o crescimento de abóboras volumosas pode ocorrer sem técnicas especializadas. Variedades comuns no Brasil, como Caravela, Gigante Pescoço e Canhão, podem produzir frutos grandes quando as sementes germinam em solos férteis, enriquecidos por resíduos orgânicos.

Nessas situações, a combinação entre as características genéticas da variedade e as condições favoráveis do ambiente pode resultar em abóboras grandes e próprias para o consumo. A principal diferença em relação aos exemplares de competição está no objetivo do cultivo: enquanto nas hortas o crescimento pode ocorrer naturalmente, nas competições a seleção direcionada e o manejo intensivo buscam explorar ao máximo o potencial da planta.

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