‘É hora do peixe’: setor de pescados em Niterói espera aumento de vendas na Semana Santa

 

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Às vésperas da Semana Santa, um convite ecoa entre comerciantes de Niterói: é hora do peixe. Mais do que um período de aumento nas vendas, a data reforça a tradição do consumo de pescado e a importância de uma cadeia produtiva que movimenta desde pescadores até o comércio local.

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Historicamente, o período já foi sinônimo de corredores cheios e filas nas portas de peixarias da cidade, principalmente no tradicional Mercado São Pedro, na Ponta da Areia. Embora o cenário tenha mudado nos últimos anos, a data segue como a principal vitrine do setor, concentrando consumidores que mantêm o hábito religioso e também aqueles que aproveitam a ocasião para incluir o peixe no cardápio.

Com atuação no varejo e também no fornecimento para restaurantes, a Peixaria Oceânica aposta na diversificação para impulsionar as vendas. A expectativa é de crescimento em relação ao ano passado. Além de Niterói, as entregas são feitas para Maricá, São Gonçalo e o Rio.

— A expectativa é fazer o volume de entregas crescer pelo menos 10%. Já reforçamos a equipe, mas o mais importante é ver o cliente que compra o ano inteiro se organizando para a Semana Santa. Tem gente que não come peixe regularmente e compra só agora; por isso também tentamos mostrar que dá para levar esse consumo para o dia a dia — afirma a sócia Bruna Amêndola.

Para ela, mais do que o volume de vendas, o momento deve servir para valorizar a cadeia produtiva local e a tradição da região.

— O Rio é um grande polo de pesca. Quando você consome pescado daqui, está ajudando toda uma rede, do pescador até quem trabalha com logística e comércio. É hora do peixe. Hora de valorizar o comércio local e quem trabalha há meses com seriedade para esse momento — diz.

Se por um lado o período representa oportunidade, o cenário ainda traz desafios para parte do setor. No Mercado São Pedro, a movimentação ainda não lembra outros tempos.

— O movimento caiu bastante no início do ano. Já tivemos época de ter fila aqui fora, e hoje não é mais assim, até porque muitas peixarias foram abertas na cidade. Vamos trabalhar muito com preço para comprar melhor, conseguir vender mais barato e ganhar na quantidade, mantendo a qualidade — afirma o administrador Atílio Guglielmo, que convida a população a visitar os 37 boxes do Mercado São Pedro na Semana Santa.

Segundo ele, a procura tem se concentrado nos pescados mais acessíveis, que já são tradicionais nesta época, e o comportamento do consumidor também mudou.

— As vendas ficam nos mais populares, como corvina, dourado, anchova, tilápia e camarão, que têm preço menor e saída garantida. Hoje a rotina está corrida. Nem todo mundo quer sair de casa para comprar, e isso afeta o movimento — diz.

Apesar disso, a expectativa é de recuperação, inclusive fora das datas comemorativas, com a retomada gradual do movimento na região central a partir da ocupação dos prédios que estão sendo construídos.

— Esperamos voltar a ter um crescimento, não só na Semana Santa, mas ao longo do ano, com mais gente consumindo peixe no dia a dia — projeta.

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