Honduras registra 141 casos de mosca-varejeira em humanos e duas mortes após volta de doença erradicada

 

Fonte:


Honduras voltou a enfrentar em 2026 um problema de saúde que parecia superado havia quase três décadas: a infestação por larvas da mosca-varejeira em humanos, também conhecida por miíase. Segundo o mais recente relatório epidemiológico, ao qual a agência EFE teve acesso, no final do mês de abril, já foram confirmados 141 casos e duas mortes relacionadas à presença da Cochliomyia hominivorax, conhecida popularmente como mosca-da-berne.

Hantavírus: Após crise em navio de cruzeiro, relembre surto de infecção nos anos 90 que causou mortes no Brasil

Vídeo: Mordida de cachorro nos EUA deixa influenciadora brasileira com conta hospitalar de R$ 84 mil

As duas vítimas eram idosos moradores de Tegucigalpa, capital hondurenha, e apresentavam histórico de complicações associadas à infestação. O registro dos óbitos na região do Distrito Central chamou a atenção das autoridades por indicar a circulação do parasita também em áreas urbanas, e não apenas em regiões rurais, como era mais comum.

Até 1996, Honduras era considerada livre dessa praga, o que torna o reaparecimento ainda mais preocupante para o sistema de saúde. O avanço em grandes centros urbanos amplia o risco para pessoas com feridas abertas, especialmente aquelas com úlceras, pé diabético, insuficiência venosa ou outras lesões crônicas, consideradas ambientes favoráveis para o desenvolvimento das larvas.

Impacto também atinge a pecuária

A crise não se limita aos humanos. De acordo com o Serviço Nacional de Saúde e Segurança Agroalimentar (Senasa), cerca de 4.656 animais foram infectados neste ano. O chefe de Epidemiologia do órgão, Josué Lemus, afirmou que 75% dos casos envolvem bovinos, enquanto suínos e cães representam 7% cada. Também foram identificadas infestações em cavalos, cabras, ovelhas e aves.

Segundo Lemus, regiões de alta umidade e temperaturas elevadas concentram a maior parte das notificações. Além do custo com tratamento veterinário, produtores enfrentam perdas na produção de leite e carne, queda no valor comercial dos animais e redução da produtividade, o que amplia os impactos econômicos do surto.

A Cochliomyia hominivorax deposita ovos em feridas abertas de animais de sangue quente, incluindo humanos. Após a eclosão, as larvas se alimentam do tecido vivo, provocando lesões profundas e dolorosas.

Em humanos, os casos costumam atingir principalmente os membros inferiores e, quando não tratados rapidamente, podem causar perda de função e até levar à morte. “Prevenir é mais barato do que remediar”, resumiu Lemus, ao recomendar atenção à limpeza de feridas, aos cuidados com o umbigo de animais recém-nascidos e à identificação precoce dos sintomas.