Homens de Confiança: Como Ancelotti usa Casemiro e Danilo para acalmar a Seleção
Carlo Ancelotti prometeu fazer ajustes na seleção brasileira depois da ansiedade apresentada pelo time na estreia na Copa do Mundo, no empate com o Marrocos, no último sábado. Mas o Brasil que vai a campo contra o Haiti, na sexta-feira, deve ter mais mudança de postura do que de peças. O técnico não soltou a mão de seu homem de confiança, Casemiro, apesar de tê-lo substituído precocemente no jogo. O volante não teve o prestígio ameaçado. Pelo contrário. Há o entendimento de que teve a atuação prejudicada pelo comportamento coletivo da equipe, que melhorou com a entrada de outro jogador experiente: Danilo.
Contestado pela convocação anunciada antecipadamente, o lateral/zagueiro demonstrou sua utilidade ao entrar no segundo tempo no lugar de Ibañez e dar mais solidez defensiva à equipe, o que reforçou a necessidade de atletas experientes em campo. Danilo também assumiu postura de liderança com as palavras, ao ser bastante crítico ao comportamento do time. O atleta do Flamengo foi conselheiro dos demais jogadores e cobrou evolução imediata. Aos 34 anos, tem presença quase certa como titular contra o Haiti.
Já Casemiro pode ser preservado em um dos próximos dois jogos para dar lugar a Fabinho, mas não por razões técnicas. O que pesa em seu caso é o cartão amarelo recebido na estreia. Pela regra da Fifa, dois amarelos já geram suspensão automática. A contagem é zerada apenas na fase eliminatória. Logo, faz mais sentido o volante jogar a segunda rodada e, em caso de suspensão, cumprir contra a Escócia. Se levar o segundo amarelo no terceiro jogo, fica fora da fase seguinte.
Internamente, a avaliação é que a saída do homem de confiança de Ancelotti por opção técnica poderia abalar os demais jogadores. Já é estabelecida na seleção a representatividade de Casemiro com o técnico e sua ascendência nas decisões sobre a equipe. Entende-se, por outro lado, que o volante é um jogador de grupo e não colocaria seus interesses à frente. Se estiver mal, terá a consciência de que precisa dar lugar a outro.
Testes iniciados
Danilo, por sua vez, reassumiu uma vaga mesmo sem tanto convívio com o treinador. Aos poucos, porém, tem se tornado a principal voz no vestiário. É comum vê-lo próximo aos jogadores mais jovens, em conversas, diferentemente de Casemiro.
A essa espinha dorsal de líderes se somam o zagueiro e capitão Marquinhos, o goleiro Alisson, além do próprio Neymar. Mas, mesmo não portando a braçadeira, são Casemiro e Danilo que têm a “chave da casa” de Ancelotti para ajudá-lo a fazer o Brasil encaixar com outro tipo de comportamento em campo. Mesmo que, para isso, precisem começar ou ir para o banco de reservas.
Ontem, em atividade fechada para a imprensa, Ancelotti experimentou um time com Fabinho e Bruno Guimarães, deixando Casemiro de fora. O teste ainda contou com Danilo e Alex Sandro nas laterais. No ataque, Rayan, Luiz Henrique e Matheus Cunha foram observados ao lado de Vini Jr., sem Lucas Paquetá. Na defesa, Bremer e Gabriel Magalhães formaram dupla. A ausência de nomes como Marquinhos e Raphinha não indica trocas. O atacante, aliás, se recuperou das bolhas no pé que o tiraram da atividade de segunda-feira e treinou normalmente. Ancelotti ainda terá mais dois treinos para definir o time e deve manter a estratégia de só informar aos jogadores os titulares em cima da hora, como fez na estreia.
— Já tive muitos outros treinadores na Europa e eles não passavam a escalação durante a semana para que todos pudessem estar preparados. Nesse jogo, o Mister fez isso. Ele mostrou a equipe antes de sairmos para o estádio. Todos estavam preparados, com muita energia, emoção, e isso não interfere muito em relação ao jogo — argumentou Douglas Santos, ignorando o fato de que, apesar da escalação titular ter sido treinada, os jogadores sentiram bastante a primeira partida.
