Homem que tentou simular suicídio da mulher após feminicídio é condenado a 16 anos de prisão no Rio

 

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O 2° Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça do Rio condenou Ivan Honorato Carvalho a 16 anos de prisão pelo feminicídio da esposa, a professora Vânia Batista Ismael, morta em maio de 2024, em Campo Grande, na Zona Oeste da capital. Além da pena por feminicídio, ele também recebeu seis meses de detenção por fraude processual, após tentar simular que a vítima havia se jogado da janela do apartamento onde o casal morava, diz a sentença.

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De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu durante a madrugada. Inconformado com a separação, Ivan teria golpeado Vânia na cabeça dentro do imóvel, o que a levou à morte.

Após o assassinato, segundo as investigações, o homem levou o corpo da professora até o estacionamento do condomínio para tentar sustentar a versão de suicídio. Ao acionar os bombeiros, ele afirmou que a mulher havia se jogado da janela.

No entanto, a narrativa começou a ser desfeita após os laudos da perícia apontarem que os ferimentos apresentados pela vítima eram incompatíveis com queda de altura. Os investigadores da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) também encontraram manchas de sangue no apartamento, tanto na sala quanto no quarto.

Imagens de câmeras de segurança mostraram ainda o acusado circulando pelo condomínio durante a madrugada e descartando materiais usados para limpar vestígios de sangue, segundo a polícia.

Na sentença, a juíza Elizabeth Machado Louro classificou o caso como um “episódio clássico de feminicídio” e destacou a motivação ligada ao inconformismo com o fim do relacionamento. Ivan foi condenado por feminicídio qualificado por motivo torpe e meio cruel, além de fraude processual.

Apesar de ser réu primário e ter confessado o crime em juízo, ele teve negado o direito de recorrer em liberdade. A magistrada considerou o risco de fuga, já que o acusado deixou o Rio após o crime e acabou preso semanas depois em Rio das Ostras.

A pena de 16 anos será cumprida inicialmente em regime fechado. Já a condenação por fraude processual foi fixada em regime aberto.

O caso ocorre em meio ao aumento dos registros de feminicídio no país. Dados do Ministério da Justiça mostram que o Brasil teve 399 vítimas entre janeiro e março deste ano — o maior número para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 2015. No estado do Rio, embora os casos consumados tenham caído no período, as tentativas de feminicídio aumentaram mais de 10%.

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