Homem que tentou matar Trump na Flórida em 2024 é condenado à prisão perpétua
Um homem condenado por tentar assassinar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um campo de golfe na Flórida, em 2024, foi sentenciado nesta quarta-feira à prisão perpétua por um tribunal federal. A decisão foi anunciada pela juíza Aileen Cannon, em Fort Pierce, no mesmo tribunal onde, em setembro, o réu Ryan Routh causou tumulto ao tentar se ferir com uma faca logo após o júri considerá-lo culpado de todas as acusações.
Ofensiva migratória: czar da fronteira de Trump anuncia plano para retirar 700 agentes anti-imigração de Minnesota
Washington: Trump diz que é hora de virar a página do caso Epstein após nova divulgação de documentos
Segundo informações divulgadas pela AP, o Ministério Público havia solicitado prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, alegando que Routh não demonstrou arrependimento nem pediu desculpas pelo crime. A defesa, por sua vez, pediu uma pena de 27 anos de prisão, ressaltando que o condenado está próximo de completar 60 anos.
Além da prisão perpétua, Routh recebeu uma pena adicional de sete anos de detenção por uma das condenações relacionadas ao porte de arma, a ser cumprida de forma consecutiva.
A sentença estava inicialmente marcada para dezembro, mas foi adiada após a juíza aceitar o pedido do réu para ser representado por um advogado na fase final do processo. Durante a maior parte do julgamento, Routh optou por fazer sua própria defesa.
Initial plugin text
Promotores dos Estados Unidos afirmaram, em um memorando apresentado à Justiça, que Ryan Routh não demonstrou arrependimento nem assumiu responsabilidade por seus atos e, por isso, deveria passar o resto da vida na prisão, conforme as diretrizes federais de condenação.
Routh foi considerado culpado por tentar assassinar um importante candidato à Presidência, usar arma de fogo para a prática de crime, agredir um agente federal, portar arma sendo condenado por crime grave e utilizar uma arma com número de série adulterado. Segundo a Promotoria, o réu “nunca pediu desculpas pelas vidas que colocou em risco” e apresenta “desprezo quase total pela lei”.
A defesa pediu uma pena inferior à prevista nas diretrizes. O novo advogado de Routh, Martin L. Roth, solicitou uma condenação de 20 anos de prisão, além de uma pena obrigatória de sete anos por uma das infrações relacionadas a armas, argumentando que o réu está prestes a completar 60 anos e não deveria morrer na prisão.
Relatório: HRW cita Brasil como ator central em possível aliança para responder a ataques de Trump contra sistema de direitos humanos
De acordo com os autos, Routh passou semanas planejando o ataque antes de apontar um rifle em direção ao então candidato republicano Donald Trump, que jogava golfe em 15 de setembro de 2024 em seu clube em West Palm Beach, na Flórida.
Um agente do Serviço Secreto responsável pela segurança de Trump afirmou em juízo que avistou o suspeito antes de o ex-presidente entrar em seu campo de visão e reagiu ao ver a arma apontada em sua direção, levando Routh a abandonar o rifle e fugir sem disparar.
Em um pedido posterior para ser representado por um advogado, Routh fez declarações consideradas inadequadas pela Justiça, chegando a sugerir uma troca de prisioneiros e a afirmar que Trump poderia “descontar suas frustrações” nele. Ao analisar o pedido, a juíza Aileen Cannon criticou o tom do documento, classificando-o como uma “encenação desrespeitosa”, mas decidiu autorizar a assistência jurídica em nome do devido processo legal.
Semanas após ameaçar atacar a Colômbia: Trump tem 'encontro cordial e produtivo' com Petro na Casa Branca
Indicada por Trump em 2020, Aileen havia autorizado anteriormente que Routh se defendesse sozinho durante o julgamento, direito assegurado pela Suprema Corte dos Estados Unidos a réus considerados aptos a abrir mão de um advogado. Defensores públicos federais acompanharam o processo como assessores.
O réu possui um histórico de condenações criminais anteriores e deixou registros públicos de hostilidade ao ex-presidente. Em um livro publicado de forma independente, chegou a incitar o Irã a assassiná-lo e escreveu que, como eleitor de Trump, deveria assumir parte da responsabilidade por sua eleição.
