Homem que encontrou 'Navio de Ouro' e se recusou a revelar paradeiro de moedas é libertado após 10 anos preso
Um dos responsáveis por localizar um dos mais valiosos naufrágios da história dos Estados Unidos deixou a prisão após quase dez anos detido. O cientista e explorador marítimo Tommy Thompson, de 73 anos, foi libertado na quarta-feira (4), segundo registros do Departamento Federal de Prisões analisados pela Associated Press.
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Nascido em Ohio, Thompson ganhou notoriedade em 1988 ao liderar a equipe que encontrou os destroços do SS Central America, navio que ficou conhecido como o “Navio de Ouro”. A embarcação afundou em 1857 durante um furacão no Oceano Atlântico, próximo à costa da Carolina do Sul, levando consigo cerca de 30 mil libras de ouro provenientes da recém-criada Casa da Moeda de São Francisco.
O naufrágio, localizado a mais de 2.100 metros de profundidade, transportava ouro ligado à Corrida do Ouro da Califórnia. O desastre matou 425 passageiros e tripulantes e contribuiu para um pânico econômico na época. Parte do tesouro recuperado ao longo das décadas seguintes foi vendida por milhões de dólares.
Disputa judicial e prisão
Apesar da descoberta histórica, Thompson acabou envolvido em uma longa batalha judicial. Investidores que financiaram a expedição entraram com um processo em 2005, alegando não terem recebido recursos da venda de parte do ouro recuperado — avaliada em cerca de US$ 50 milhões, incluindo barras e milhares de moedas.
O explorador desapareceu e passou anos foragido. Em 2012, um juiz federal de Ohio emitiu um mandado de prisão após Thompson não comparecer a uma audiência. Ele foi localizado três anos depois em um hotel na Flórida, vivendo sob nome falso.
Preso no fim de 2015, Thompson foi condenado por desacato ao tribunal ao se recusar repetidamente a revelar o paradeiro de cerca de 500 moedas cunhadas com o ouro do navio. Na época, elas eram avaliadas em aproximadamente US$ 2,5 milhões. O cientista afirmou que as peças haviam sido colocadas em um fundo fiduciário em Belize e disse não saber onde estavam.
Em uma audiência por videoconferência em 2020, o juiz federal Algenon Marbley voltou a questioná-lo sobre o destino das moedas. Thompson respondeu que não tinha conhecimento sobre a localização do ouro e afirmou sentir que “não tinha as chaves da própria liberdade”.
Embora a legislação federal normalmente limite a prisão por desacato civil a 18 meses, um tribunal de apelações decidiu em 2019 que a regra não se aplicava ao caso, por causa das condições estabelecidas em um acordo judicial anterior.
Há pouco mais de um ano, no entanto, Marbley decidiu encerrar a punição por desacato, afirmando não estar mais convencido de que manter Thompson preso levaria a novas informações. O explorador então passou a cumprir uma pena de dois anos por ter faltado à audiência de 2012 — sentença que agora chegou ao fim.
Especialistas ouvidos pela Associated Press apontaram que o período de detenção foi incomum. Ryan Scott, professor de direito da Universidade da Flórida que estuda casos de desacato, afirmou que manter alguém preso por cerca de uma década nesse tipo de processo é “muito raro”.
Ao longo dos anos, artefatos do SS Central America continuaram a alcançar cifras milionárias em leilões. Em 2022, um lingote de 866,19 onças conhecido como Justh & Hunter foi vendido por US$ 2,16 milhões pela Heritage Auctions, em Dallas. Em 2019, relíquias do naufrágio renderam mais de US$ 11 milhões, e em 2001 um lingote de 36 quilos foi arrematado por um colecionador por US$ 8 milhões.
