Homem perdoado por Trump pela invasão ao Capitólio é condenado por múltiplos abusos sexuais contra menores
Um homem que participou da sangrenta invasão ao Capitólio, em Washington (EUA), em 6 de janeiro de 2021 — que terminou com cinco mortos — e que posteriormente recebeu indulto de Donald Trump foi considerado culpado, na terça-feira (10/2), de múltiplas acusações de abuso sexual infantil na Flórida. Andrew Paul Johnson havia sido preso no Tennessee em agosto e extraditado para a Flórida.
Andrew foi considerado culpado de cinco acusações nesta semana, incluindo abuso sexual de uma criança menor de 12 anos e outra menor de 16, além de exibicionismo lascivo, conforme noticiado inicialmente pela NPR. A pena ainda não foi proferida pelo juiz do caso.
"Ele está sujeito à possibilidade de prisão perpétua", disse Walter Forgie, procurador-chefe adjunto do quinto circuito judicial da Flórida.
Em julho, o gabinete do xerife do condado de Hernando recebeu uma denúncia de que "dois menores foram vítimas de atos lascivos e indecentes ao longo de vários meses”, segundo um depoimento para justificar a prisão.
A mãe de um dos menores afirmou ter descoberto que Andrew, seu ex-namorado e com que morava ela morava, havia enviado mensagens "inapropriadas" para o filho pelo Discord. No depoimento, ela afirma ter questionado o filho sobre essas mensagens e se Andrew "havia feito ou dito algo inapropriado". O menor alegou que, entre 1º de abril de 2024 e outubro de 2024, Johnson o molestou três vezes, começando quando ele tinha 11 anos.
O documento policial também afirma que Andrew declarou que receberia US$ 10 milhões por ser um "participante do 6 de janeiro" e que colocaria o menino em seu testamento para receber qualquer dinheiro que lhe sobrasse. Acredita-se que essa tática tenha sido usada pelo abusador para impedir que a criança revelasse o que Andrew havia feito com ela, disse a polícia.
Andrew foi um dos aproximadamente 1.500 réus acusados de participação no ataque de 6 de janeiro aos quais Trump concedeu clemência no início do seu segundo mandato presidencial.
Trump discutiu publicamente a possibilidade de indenizar os réus processados em relação ao 6 de janeiro, mas nenhum recebeu indenização até o momento.
A invasão
Em 6 de janeiro de 2021, após um discurso inflamado de Donald Trump, que havia sido derrotado pelo democrata Joe Biden nas eleições presidenciais, manifestantes foram até o Capitólio a fim de protestar contra a certificação do político democrata como o novo presidente dos EUA.
"Vocês nunca terão de volta nosso país com fraqueza. Vocês têm que mostrar força e têm que ser fortes. Vamos exigir que o Congresso faça a coisa certa e conte apenas os eleitores que foram legalmente indicados", disse Trump à época.
A polícia e a Guarda Nacional reagiram e houve confronto. Cinco pessoas morreram, incluindo um policial, e várias outras ficaram feridas.
Vários manifestantes apoiadores do então presidente foram presos, julgados e condenados. Quando voltou ao poder, em 2025, Trump concedeu perdão a muitos dos manifestantes.
