Homem e duas mulheres ficam isolados em montanha no Chile por seis noites e podem ter que pagar por operação de resgate; entenda
Um homem e duas mulheres foram resgatados de uma região de montanha aos pés das Cordilheiras dos Andes, no Chile, após ficarem seis noites isolados.
O caso, ocorrido na semana passada, se desenrolou porque o trio ignorou avisos de risco de forte nevasca para a região e seguiu viagem, percorrendo mais de 100 quilômetros de carro sem ter como retornarem nas horas e dias seguintes.
Foi necessário equipes de resgate usarem um helicóptero para os tirar da região, e agora o governo chileno considera exigir indenização pela operação.
Veja vídeo: Mergulhador filma ataque de tubarão e quase perde a perna em Fiji
Principais pontos: O que se sabe sobre o desaparecimento dos alpinistas em Huascarán, montanha mais alta do Peru
O caso tem ganho repercussão, principalmente no Chile, nos últimos dias por detalhes ainda não esclarecidos e pelos riscos corridos pelas três pessoas apesar dos avisos.
Dias depois do resgate, e em meio a teorias, Manuel Orellana, de 32 anos, conhecido como El Chino, veio a público contar sua versão do ocorrido, isso porque ele acabou isolado com Martina Micaela Núñez Hermosilla, de 22 anos, e Magdalena María Retamal Pelz, de 31, duas professoras da escola onde o filho dele estuda há mais de 6 anos.
De acordo com Manuel, a viagem surgiu sem planejamento, que foi, inclusive, questionada por sua companheira, Genesis, depois que ele foi encontrado.
O homem contou, em entrevista ao programa de televisão chileno "Hay que decirlo" ("É preciso dizer", em tradução livre), que andava por uma avenida quando foi convidado por uma amiga e encontrar um grupo de conhecidos na boate Terrazielo, em Peñalolén.
Isto no dia 15, uma quarta-feira.
Manuel disse que estava sem dinheiro para passar o fim de semana estendido por um feriado prolongado.
Ele aceitou o convite.
Manuel conta que foram impedidos de entrar na boate por conta das roupas que usavam, que não estariam de acordo com o código de vestimenta.
Ele diz que optaram a ir para Cajón del Maipo, que fica aos pés das Cordilheiras dos Andes no lado chileno.
Manuel afirmou que conhecia a região por experiências anteriores, como andar a cavalo.
Patrimônio cultural: Aquecimento global abre janela inédita para a arqueologia glacial enquanto ameaça seus próprios achados
A viagem, de aproximadamente 115 quilômetros, durou entre duas horas e meia e três horas.
Além disso, eles estavam viajando em um veículo que não era 4x4, e a Rodovia G-25 já havia sido fechada por precaução pelas autoridades devido à previsão de forte nevasca.
Manuel disse que não sabia disso por não usar celular ou redes sociais.
Homem e duas mulheres ficam isolados em montanha no Chile por seis noites após nevasca
Reprodução
Sem poder seguirem de carro, eles saíram e caminharam por cerca de dez minutos até chegarem a refúgio, uma cabana próxima às Termas del Valle de Colina.
O complexo estava desabitado.
Seu proprietário, Nano Covarrubias, havia ordenado a evacuação do local devido à tempestade, embora tenha deixado as portas abertas para que qualquer pessoa que ficasse ilhada pudesse se abrigar.
Entenda: Por que escalar o Huascarán está se tornando cada vez mais perigoso?
Lá dentro havia comida, camas, abrigo e lenha.
Esses itens foram essenciais para que Manuel e as duas mulheres permanecessem em segurança por seis dias.
Eles puderam cozinhar, acender fogueiras para se aquecer e se abrigar da neve.
Em imagens compartilhadas que mostram o momento do resgate, é possível ver que a neve no lado de fora do imóvel está acumulada ao ponto de ultrapassar os joelhos das pessoas e dos socorristas quanto estão de pé.
Logo as famílias dos três comunicaram o desaparecimento às autoridades, e a Polícia de Investigação do Chile (PDI) iniciou uma busca.
Os investigadores reconstruíram o trajeto percorrido pelo grupo utilizando imagens de câmeras de segurança, leitores de placas e o depoimento de uma testemunha que afirmou ter visto o grupo seguindo em direção a Baños Morales e confirmou que as duas mulheres estavam bem de saúde.
'El Topito': menino de 10 anos ajuda em operações de busca na Venezuela após terremotos
Resgate de helicóptero
Na manhã da quarta-feira seguinte, dia 22, com a melhora das condições climáticas, um helicóptero com agentes do Grupo de Operações Especiais da Polícia (GOPE) a bordo sobrevoou a área e procurar as três pessoas.
Ao avistar a aeronave, Manuel saiu do abrigo e começou a acenar com os braços.
O piloto conseguiu pousar e a equipe iniciou a evacuação.
Os três foram levados para a cidade de San Gabriel e submetidos a exames médicos.
Os exames iniciais determinaram que eles estavam em boa saúde, embora estivessem emocionalmente abalados pelos dias que passaram em isolamento.
Após o resgate, a subprefeita Tatiana García-Huidobro, chefe da Unidade Metropolitana de Pessoas Desaparecidas da PDI, informou que os três admitiram que não deveriam ter feito a viagem.
— Hoje eles estão arrependidos; disseram que nunca deveriam ter subido, que foi uma má decisão — afirmou.
Veja imagens: Nasa divulga representação inédita da Terra como geoide a partir de 1 bilhão de observações coletadas em 15 anos
Por outro lado, a operação poderá agora ter consequências econômicas para os resgatados.
Segundo o jornal El Mostrador, a Delegação Presidencial Metropolitana consultou o Conselho de Defesa do Estado (CDE), na última quinta-feira (23), para apurar a possibilidade de recuperar os fundos públicos utilizados nas buscas e salvamentos.
A operação mobilizou um helicóptero, pessoal da GOPE (Força Policial Estrangeira) dos Carabineiros, pessoal do Exército, bombeiros, membros do Serviço Médico de Emergência (SAMU) e funcionários municipais.
Segundo a imprensa local, o custo chegaria a 100 milhões de pesos (cerca de R$ 536 mil, na cotação atual).
Ainda em entrevista ao programa "Hay que decirlo", Manuel disse que não tem recursos para arcar com esses gastos, mas afirmou que estaria disposto a pagar essa dívida com Martina Micaela e Magdalena María.
— Se nos cobrarem, devemos dividir o custo — disse ele na entrevista, seguido por um pedido de desculpas por tudo o que seu desaparecimento causou: — A todo o país, ao presidente, aos ministros, aos socorristas, à minha família, à minha esposa, a todos que nos conhecem e se preocuparam.
(Com informações de La Nacion e Canal 26.)
