Homem-Aranha: Um Novo Dia estreia nesta quarta-feira (29) nos cinemas, com Peter Parker (Tom Holland) lidando com as consequências do feitiço lançado pelo Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) para reverter a revelação pública de sua identidade secreta. Esquecido até pelo então amigo Ned (Jacob Batalon) e pela namorada MJ (Zendaya), o Homem-Aranha vive apenas para o trabalho.
O talentoso Tom Holland entrega com profundidade a tristeza silenciosa do protagonista, enquanto ele preenche os seus dias solitários com o combate aos crimes de Nova York, sejam eles grandes ou pequenos. Ao mesmo tempo que Parker está em luto pela morte da tia May e sofre pela distância dos amigos que quer proteger, ocultando sua identidade, ele tenta entender uma mutação genética descontrolada, que parece cada vez mais tomar conta do seu corpo. É como se Parker estivesse desaparecendo por completo para dar lugar apenas ao Homem-Aranha. Zendaya e Tom Holland Divulgação É nesta hora que outro personagem carismático da Marvel entra em cena: Bruce Banner (Mark Ruffalo). O físico nuclear surge em uma versão mais zen e leve, graças a um inibidor do seu alter ego, Hulk, que o permite trabalhar apenas como um professor admirado pelos alunos pela sombra do super-herói que foi no passado. Parker o procura, sem ser reconhecido, para entender como ele também pode controlar suas transformações.
Tom Holland Divulgação É interessante ver o amadurecimento de Parker, como ele vai lidando com suas perdas e como ele vai entendendo melhor seus propósitos e a si mesmo. Mas, na reta final das duas horas e 24 minutos do filme, o drama principal deixa de ser o do protagonista quando ele ajuda a prender uma jovem que, com poderes de telepatia, tem causado um caos na cidade por conseguir acessar a mente até de heróis e vilões.
É aí que entra Sadie Sink, atriz que ficou conhecida por interpretar a Max em Stranger Things, e outro personagem querido no universo Marvel, o Justiceiro (Jon Bernthal), que volta para ajudar e, ao mesmo tempo, atrapalhar o Homem-Aranha. Risos garantidos, assim como cenas de luta bem bonitas, mas a história — até então mais emotiva do herói principal — parece perder um pouco o rumo diante da trajetória paralela da "vilã" da vez.
Ainda que a reta final dilua parte da força emocional construída até então em torno do protagonista, o roteiro consegue amarrar de forma satisfatória as duas trajetórias — a de Homem-Aranha e a da personagem de Sadie — e deixa boas perspectivas para o futuro da franquia. Se depender da reação dos jornalistas presentes na cabine de imprensa, os fãs devem ficar felizes com a revelação da identidade do papel de Sadie e com as novas possibilidades para as sequências do Homem-Aranha e da outra personagem apresentada. Já a cena pós-crédito dá dica do próximo desafio do super-herói.
Revista Quem