Hittler tenta se reeleger contra candidato da extrema direita chamado Zielenski
Charles Hittler orbita entre a direita e a centro-direita. Mas no próximo domingo (22/3) ele vai enfrentar nas eleições municipais Antoine Renault-Zielenski, o candidato da extrema direita.
Hittler busca a reeleição na pequena Arcis-sur-Aube, que tem 2.785 moradores. Os sobrenomes na disputa têm chamado a atenção por causa da semelhança com o líder nazista Adolf Hitler e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Curiosamente, no pleito em Arcis-sur-Aube, Hittler não concorre pelo partido Patriota, da extrema direita.
"Se as pessoas estivessem falando sobre a cidade e nossas propostas, seria uma coisa. Mas tudo o que lhes interessa são nossos nomes", reclamou Hittler, de acordo com a BBC. A família é oriunda da Alsácia, na fronteira com a Alemanha.
Zielenski, por outro lado, afirma que frequentemente lhe perguntam se ele tem algum parentesco com Zelensky. Não há.
"Eu entendo por que as pessoas acham isso engraçado. Pessoalmente, não me faz rir, mas também não me incomoda. Seria melhor se as pessoas estivessem falando de Arcis por outros motivos, mas pelo menos estamos no mapa", desabafou o candidato, de 28 anos, cuja origem é polonesa.
Curiosamente, Arcis-sur-Aude deu nome a uma cidade perto de Odessa, na Ucrânia de Zelensky. Em 1814, Napoleão travou uma batalha em Arcis-sur-Aube contra os exércitos invasores austríacos, prussianos e russos, e dois anos depois, imigrantes alemães convidados pelo governo russo batizaram seu assentamento de Artsyz, em homenagem à batalha. A cidade também foi o berço do revolucionário francês Georges Jacques Danton.
Hittler disse que seu pai considerou mudar de nome após a Segunda Guerra Mundial, mas no fim das contas a burocracia era grande demais e teria sido caro.
"Isso não significa que eu tenha o caráter de Adolf Hitler ou que me pareça com Adolf Hitler da Alemanha", destacou ele.
Charles Hittler
Reprodução/X
Mas, se vencer a reeleição, Hittler pedirá para ser conhecido pelo seu segundo sobrenome: Uunona.
"No passado, já me chamaram de Adolf Hitler e tentaram me associar a alguém que eu nem conheço", disse ele ao jornal alemão "Bild".
Mas até em casa a associação está presente.
"Minha esposa me chama de Adolf, finalizou.
