Hillary Clinton acusa governo Trump de ‘encobrir’ arquivos de Epstein e cobra divulgação total
A ex-secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton acusou o governo do presidente Donald Trump de promover um “encobrimento” na condução dos arquivos ligados ao financista Jeffrey Epstein, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual. Em entrevista à BBC, em Berlim, onde participou do World Forum, Hillary afirmou que a administração republicana estaria retardando a divulgação completa dos documentos.
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— Publiquem os arquivos. Eles estão atrasando isso deliberadamente — disse.
A Casa Branca rebateu, afirmando que já fez “mais pelas vítimas do que os democratas jamais fizeram” ao liberar milhões de páginas por meio do Departamento de Justiça que, no início do mês, divulgou cerca de três milhões de páginas relacionadas às investigações sobre Epstein.
Parte do material, no entanto, não foi tornada pública por conter prontuários médicos, descrições gráficas de abuso infantil ou informações que poderiam comprometer investigações.
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Questionada sobre a possibilidade de depor diante de um comitê do Congresso, Hillary afirmou que “todos que forem convocados devem testemunhar”. O ex-presidente Bill Clinton deve depor no dia 27 de fevereiro, enquanto Hillary comparecerá no dia anterior.
O ex-presidente admitiu ter viajado no avião de Epstein no início dos anos 2000 para trabalho humanitário relacionado à Fundação Clinton, mas afirmou que nunca visitou a ilha particular de Epstein, onde ele supostamente promovia festas sexuais.
Inicialmente, parlamentares republicanos ameaçaram votar uma moção por desacato contra o casal, mas recuaram após o compromisso de depoimento. Será a primeira vez desde 1983 — quando Gerald Ford testemunhou — que um ex-presidente dos EUA comparece a um painel do Congresso. Hillary reiterou que prefere uma audiência pública, e não uma sessão a portas fechadas:
— Não temos nada a esconder.
O Departamento de Justiça divulgou há duas semanas o último lote dos chamados Epstein Files: mais de três milhões de documentos, fotos e vídeos relacionados à investigação sobre Epstein, que morreu em 2019, em um caso considerado suicídio enquanto estava sob custódia. Bill Clinton aparece com frequência nos arquivos, mas nenhuma evidência surgiu que implique qualquer um dos Clintons em atividades criminosas.
