Hezbollah pede suspensão de negociações entre Líbano e Israel na terça-feira; mortos passam de 2.089
O grupo xiita Hezbollah pediu a suspensão das negociações previstas para esta terça-feira entre Líbano e Israel, de acordo com a agência AFP, em meio à escalada do conflito que já deixou mais de 2.089 mortos no território libanês desde o início de março, segundo o Ministério da Saúde do país. O apelo ocorre às vésperas de um encontro em Washington entre representantes dos dois países para discutir um possível cessar-fogo.
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Mesmo com a pressão contra o diálogo, o Benjamin Netanyahu mantém a ofensiva militar. O Exército israelense afirmou ter realizado cerca de 150 ataques contra alvos do Hezbollah no sul do Líbano nas últimas 24 horas, segundo informações divulgadas pelas Forças Armadas de Israel e pela presidência libanesa.
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De acordo com os militares israelenses, as operações tiveram como alvo estruturas estratégicas do grupo xiita, incluindo centros de comando e pontos de lançamento de armamentos. Em comunicado nas redes sociais, o Exército afirmou ter desmantelado células do Hezbollah "que tentavam realizar um ataque terrorista contra soldados israelitas".
Prédio em Tiro, cidade no Líbano, é bombardeado por Israel depois do cessar-fogo temporário
Kawnat Haju/AFP
No terreno, a ofensiva continua a produzir vítimas. O Ministério da Saúde Pública do Líbano informou que, apenas nas últimas 24 horas, 34 pessoas morreram e 174 ficaram feridas em diferentes regiões do país. Desde o início da campanha de bombardeios, no começo de março, o número total de mortos chegou a mais de dois mil mortos, com 6.762 feridos.
Apesar da movimentação diplomática, Netanyahu indicou que não pretende recuar na estratégia militar. Ele voltou a defender a criação de uma "zona de segurança sólida e mais profunda" no sul do Líbano e afirmou que "os combates continuam", mesmo com a abertura de diálogo entre os países.
Após visitar tropas em território libanês no domingo, Netanyahu declarou que a presença militar israelense deve ir além das cinco bases já mantidas na região desde novembro de 2024. Segundo ele, o objetivo é impedir novas ameaças à segurança israelense. “Estamos a falar de uma zona de segurança sólida e mais profunda que previna o perigo de invasão e neutralize a ameaça dos mísseis antitanque”, afirmou.
Socorristas se aproximam de prédio atingido por míssil israelense em Nabatieh, no sul do Líbano
Abbas Fakih / AFP
A área em questão corresponde a cerca de 8% do território libanês, abrangendo a faixa entre a fronteira de facto entre os países e o rio Litani.
As negociações foram articuladas após um primeiro contato telefônico entre autoridades dos dois países, mediado por seus embaixadores nos Estados Unidos. A presidência libanesa informou que o encontro deve tratar "o anúncio de um cessar-fogo e a data de início das negociações entre o Líbano e Israel".
O embaixador israelense em Washington, Yechiel Leiter, confirmou o início de "negociações formais de paz na próxima terça-feira", apesar de Israel não manter relações diplomáticas com o Líbano. Ele ressaltou, no entanto, que o governo israelense não pretende negociar diretamente com o Hezbollah.
O grupo xiita, aliado do Irã, segue fora das tratativas, embora continue sendo o principal ator armado no lado libanês do conflito. Entre a madrugada de domingo e a tarde desta segunda-feira, o Hezbollah reivindicou mais de 30 ataques contra alvos israelenses.
O cenário diplomático é ainda mais complexo devido às divergências sobre a abrangência de um cessar-fogo recente mediado por Estados Unidos e Irã. Enquanto Washington e Tel Aviv entendem que o acordo não inclui o Líbano, Teerã chegou a ameaçar abandonar negociações paralelas após discordâncias sobre o tema.
Do lado libanês, o presidente Josef Aoun afirmou que há uma janela de oportunidade para encerrar o conflito, mas condicionou o avanço das negociações a concessões mútuas.
"Existe agora uma oportunidade para alcançar uma solução sustentável, que é o que o Líbano deseja, mas isso não pode ser unilateral. Israel deve responder aos apelos libaneses, árabes e internacionais para cessar os ataques contra o Líbano e iniciar negociações", declarou em comunicado divulgado pela presidência libanesa na segunda-feira, após reunião com o chanceler italiano.
Em reunião com o chanceler italiano, Antonio Tajani, Aoun reforçou a expectativa de que as hostilidades sejam interrompidas até terça-feira, abrindo caminho para um processo formal de paz.
O conflito se intensificou após a retomada dos ataques do Hezbollah em 2 de março, em resposta à ofensiva aérea lançada em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Desde então, o cessar-fogo que vigorava desde novembro de 2024 foi rompido, em um cenário que mistura disputas regionais e tensões diretas entre os países envolvidos.
Mesmo proibido pelo governo libanês de realizar operações militares, o Hezbollah manteve ataques com projéteis e drones contra o norte de Israel e posições militares no sul do Líbano, ampliando o risco de escalada.
Netanyahu já afirmou reiteradamente que, caso o Líbano não consiga conter o grupo, Israel atuará diretamente para neutralizá-lo e disse ter instruído seu gabinete a iniciar conversas “diretas” com o país vizinho, com o objetivo de desarmar o Hezbollah e estabelecer relações pacíficas “o mais breve possível”.
