Hezbollah afirma que lançou foguetes contra Israel em resposta à 'violação do cessar-fogo'

 

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O movimento libanês Hezbollah, apoiado por Teerã, afirmou, nesta quinta-feira (no horário local), que lançou foguetes contra Israel em resposta à "violação" do cessar-fogo pactuado entre Estados Unidos e Irã. Em comunicado, o Hezbollah informou que, "em resposta à violação do acordo de cessar-fogo por parte do inimigo", atacou "a região de Manara [do outro lado da fronteira com Israel] com uma chuva de foguetes às 2h30 de quinta-feira", 20h30 desta quarta-feira em Brasília.

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O grupo libanês não havia reivindicado nenhum ataque contra Israel desde o anúncio da trégua na terça-feira (horário de Washington), depois de 39 dias de guerra. Poucas parte do Líbano permanecem intocados pela guerra. Vilarejos inteiros foram esvaziados depois que Israel emitiu alertas de evacuação em larga escala para quase todo o sul do país.

Ataques aéreos israelenses destruíram casas, romperam pontes e arrasaram partes de cidades. As forças terrestres israelenses avançaram cada vez mais, entrando em confronto com militantes do Hezbollah em terrenos acidentados e montanhosos.

A guerra trouxe grande incerteza para o sul do país, uma área predominantemente muçulmana xiita e dominada pelo Hezbollah durante décadas. Nos últimos dias, autoridades israelenses apresentaram um plano para ocupar uma faixa do sul, da fronteira até o rio Litani, após o fim da invasão terrestre. Isso corresponde a cerca de 10% de todo o país. Israel afirma que pretendem estabelecer uma “zona de segurança” para impedir que o território seja usado para atacar seu território.

Na última terça-feira, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que as centenas de milhares de libaneses deslocados que fugiram do sul não poderão retornar às suas casas até que a “segurança dos residentes do norte de Israel seja garantida”.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, antes de reunião com ministros das Relações Exteriores do Reino Unido e da França, em Jerusalém, em 16 de agosto de 2024

Kobi Wolf/Bloomberg

O governo do Líbano condena a campanha militar de Israel e apela à comunidade internacional para que intervenha. Na semana passada, o primeiro-ministro Nawaf Salam alertou o secretário-geral da ONU, António Guterres, sobre o risco de Israel anexar o território ao sul do rio Litani.