Hantavírus: três casos suspeitos a bordo de cruzeiro serão evacuados em Cabo Verde, diz OMS; entenda

 

Fonte:


Três casos suspeitos de infecção por hantavírus a bordo do cruzeiro ancorado na costa de Cabo Verde, na África Ocidental, serão evacuados em breve no país, informou uma representante da Organização Mundial da Saúde (OMS), nesta terça-feira, à AFP. A embarcação, que saiu da Argentina, vive um surto do vírus que deixou três mortos.

Entenda o caso: Mordida de cachorro nos EUA deixa influenciadora brasileira com conta hospitalar de R$ 84 mil

De Cristiano Ronaldo a Gisele Bündchen: Veja como são as dietas de 7 celebridades internacionais

Assim que os dois pacientes com sintomas da doença e uma pessoa que esteve em contato próximo com eles, mas sem manifestações clínicas, forem evacuados, o MV Hondius "poderá continuar sua rota" rumo ao arquipélago espanhol das Ilhas Canárias ou aos Países Baixos, afirmou Ann Lindstrand, que representa a organização sanitária em Cabo Verde.

O MV Hondius, que fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde com 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades, está no centro de um alerta sanitário internacional desde sábado devido à suspeita de que a morte de três de seus passageiros tenha sido causada pelo hantavírus, um vírus transmitido por roedores.

Vai um cafezinho aí? Cientistas descobrem como bebida age no intestino e no cérebro; entenda

Agora, segundo Lindstrand, uma ambulância levará as outras três pessoas possivelmente infectadas que estão no navio do porto da Praia até um aeroporto próximo, de onde serão evacuadas de avião. Embora a situação "mude de uma hora para outra", a representante da OMS afirmou que, assim que essa "expedição complicada" for realizada, "o navio poderá partir em algum momento da madrugada".

Embora "o plano inicial fosse que o navio saísse daqui rumo às Ilhas Canárias, ao porto de Tenerife", o cruzeiro, operado pela operadora turística holandesa Oceanwide Expeditions, pode acabar retornando aos Países Baixos, acrescentou.

— Houve discussões sobre a possibilidade de enviar o navio diretamente aos Países Baixos. Assim, seguimos aguardando, mas acreditamos que será para as Ilhas Canárias ou para os Países Baixos — disse Lindstrand.

Você sabe quanto tempo leva para seu corpo metabolizar a cerveja? Veja o ranking das bebidas

Por sua vez, o Ministério da Saúde da Espanha indicou que, após a tentativa de evacuar os casos sintomáticos e os contatos de alto risco, em princípio, "não haveria motivo" para realizar uma escala no arquipélago espanhol "a menos que surjam novos casos sintomáticos durante o trajeto entre Cabo Verde e as Ilhas Canárias".

Ainda assim, ressaltou, em comunicado, que "avaliará a situação continuamente e prestará sua ajuda no que for necessário", levando em conta "o equilíbrio entre os riscos e os benefícios das diferentes medidas".

Sem novos casos sintomáticos

Segundo a Oceanwide Expeditions, não foram detectados "novos casos sintomáticos" associados ao vírus a bordo do navio. Os passageiros estão confinados em suas cabines para limitar a propagação do hantavírus, que é transmitido por roedores silvestres infectados, como camundongos ou ratos, que eliminam o vírus pela saliva, urina e fezes.

O navio está ancorado desde domingo na costa de Cabo Verde, que lhe negou autorização para atracar. Jake Rosmarin, um passageiro que relata sua viagem nas redes sociais, contou na segunda-feira no Instagram que "há muita incerteza" a bordo.

O hantavírus foi confirmado pela primeira vez no navio em um britânico que desembarcou em 27 de abril na Ilha de Ascensão, no Atlântico, e foi transferido para Joanesburgo, na África do Sul.

Até o momento, a OMS confirmou dois casos e outros cinco suspeitos. A organização acredita que alguns contraíram o vírus "fora do navio", e que depois houve transmissão entre pessoas a bordo, declarou a diretora de preparação e prevenção de epidemias e pandemias da OMS, Maria Van Kerkhove.

A transmissão entre pessoas só foi registrada em surtos anteriores de um hantavírus chamado "vírus Andes", que circula na América do Sul. Van Kerkhove afirmou que ainda não foi confirmada a espécie do vírus, mas destacou que foi informado à OMS que "não há ratos a bordo" da embarcação.

Pesquisadores sul-africanos trabalham na sequência dos dados, disse Van Kerkhove. "Nossa hipótese de trabalho é que se trata do vírus Andes", mas, para o contágio, é necessário que as pessoas estejam realmente muito próximas, destacou.

— O risco para o público em geral é baixo. Não se trata de um vírus que se propague como a gripe ou a covid-19. É muito diferente — explicou.

OMS busca mais de 80 passageiros de um voo

Após o caso do britânico, a organização confirmou na segunda-feira a infecção de uma holandesa de 69 anos, que morreu em 26 de abril. Ela havia desembarcado na ilha de Santa Helena em 24 de abril com os restos mortais de seu marido, de 70 anos, que morreu em 11 de abril após "apresentar sintomas de febre, dor de cabeça e diarreia leve"

A esposa também apresentava "sintomas gastrointestinais". Em 25 de abril, embarcou em um voo da Airlink, com 82 passageiros e seis tripulantes a bordo, com destino a Joanesburgo, onde foi hospitalizada. Ela morreu no dia seguinte.

As autoridades tentam "localizar os passageiros" desse voo, afirma a OMS. O casal viajou pela Argentina antes de embarcar no navio em 1º de abril.