Hantavírus em cruzeiro: últimos voos de evacuação do navio pousam na Holanda e encerram operação; OMS alerta que 'trabalho não terminou'
Os dois últimos aviões de evacuação do MV Hondius pousaram nesta segunda-feira na Holanda, encerrando a retirada internacional de passageiros e tripulantes do cruzeiro afetado por um surto de hantavírus que já deixou três mortos e tem casos confirmados em sete países.
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Segundo o Ministério das Relações Exteriores holandês, os dois voos transportaram 28 pessoas entre passageiros, tripulantes e equipes médicas.
As imagens da chegada mostraram passageiros desembarcando com macacões brancos, máscaras e grandes sacos brancos carregando pertences pessoais — cena que marcou o desfecho de uma operação sanitária acompanhada por autoridades de diversos países e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O primeiro avião levou quatro australianos, um neozelandês e um britânico residente na Austrália. Os seis deverão permanecer inicialmente em um centro de quarentena próximo ao aeroporto antes de seguirem para a Austrália.
O segundo voo transportou 19 tripulantes, um médico britânico e dois epidemiologistas ligados à OMS e ao Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças. Os tripulantes desembarcaram sem equipamentos completos de proteção, mas ainda usando máscaras.
Enquanto os passageiros deixam definitivamente o cruzeiro, o MV Hondius segue viagem de Tenerife para Roterdã, onde será desinfetado.
Segundo a operadora Oceanwide Expeditions, permanecem a bordo 25 tripulantes e dois integrantes da equipe médica. O navio também transporta o corpo de uma passageira alemã que morreu durante a viagem.
Casos já atingem sete países
O surto ligado ao Hondius já registrou pacientes nos Países Baixos, Reino Unido, Espanha, Alemanha, Suíça, França e Estados Unidos.
Segundo balanço da AFP com base em dados oficiais, há sete casos confirmados em pessoas de seis nacionalidades diferentes, além de um caso tratado como provável.
O hantavírus é uma doença rara transmitida por fezes, urina e saliva de roedores infectados.
As três mortes registradas até agora envolvem um casal holandês e uma passageira alemã. Em duas delas houve confirmação laboratorial da infecção; a terceira segue classificada pela OMS como caso provável.
O primeiro caso fatal foi o de um holandês de 70 anos, que apresentou sintomas em 6 de abril e morreu cinco dias depois. Seu corpo não chegou a ser testado, mas o caso é tratado como provável pela OMS. O cadáver foi desembarcado em Santa Helena durante uma escala do navio.
A esposa dele, de 69 anos, também passou mal e deixou o Hondius em Santa Helena. Seu quadro piorou durante um voo para Johannesburgo, na África do Sul, e ela morreu no hospital em 26 de abril. O hantavírus foi confirmado em 4 de maio.
O médico holandês do navio apresentou sintomas em 30 de abril e testou positivo em 6 de maio para a cepa Andes — descrita como a única variante conhecida com potencial de transmissão entre humanos. Ele segue isolado e em estado estável nos Países Baixos.
Britânicos, franceses e americanos também estão infectados
No Reino Unido, dois britânicos tiveram infecção confirmada e um terceiro é tratado como caso provável.
Um deles passou mal em 24 de abril, foi evacuado da ilha de Ascensão para a África do Sul e acabou internado em terapia intensiva. O diagnóstico foi confirmado em 2 de maio.
Outro britânico, integrante da tripulação, apresentou sintomas em 27 de abril e testou positivo em 6 de maio. Ele foi evacuado de Cabo Verde para os Países Baixos e permanece estável.
Um terceiro britânico, que havia deixado o navio em Tristão da Cunha, entrou em isolamento após relatar sintomas em 28 de abril.
Na Espanha, um passageiro evacuado testou positivo em exame preliminar e está isolado em um hospital militar em Madri. Segundo o governo espanhol, ele permanece sem sintomas.
Na Alemanha, uma passageira morreu a bordo após desenvolver febre e pneumonia. Exames posteriores confirmaram a infecção por hantavírus.
Na Suíça, um passageiro que havia desembarcado em Santa Helena apresentou sintomas após retornar ao país e também testou positivo.
Na França, uma passageira repatriada começou a passar mal em 10 de maio. Ela testou positivo e foi colocada em isolamento. Segundo autoridades francesas, seu estado “se deteriorou” entre a noite do dia 10 e a madrugada do dia 11.
Nos Estados Unidos, um dos 17 americanos presentes no cruzeiro teve diagnóstico confirmado. Outro apresenta “sintomas leves”, segundo o Departamento de Saúde americano.
