Hantavírus em cruzeiro: passageira infectada desembarcou em Santa Helena com outros 39 turistas antes de morrer

 

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Quarenta passageiros desembarcaram do cruzeiro MV Hondius em 24 de abril, na ilha de Santa Helena, antes de o surto de hantavírus associado à embarcação ganhar dimensão internacional. A informação, divulgada pela operadora Oceanwide Expeditions, acrescenta um novo elemento a ser observado pelas autoridades de saúde, que já monitoram uma cadeia de possíveis exposições.

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A informação foi divulgada nesta quinta-feira pelo governo dos Países Baixos, país sob cuja bandeira o navio opera. De acordo com a rede CNN, entre os passageiros que desembarcaram estava a holandesa de 69 anos infectada pelo vírus, que mais tarde morreria na África do Sul.

Ela havia deixado o cruzeiro para acompanhar o corpo do marido, um holandês de 70 anos que se tornou a primeira vítima fatal do surto após desenvolver insuficiência respiratória ainda a bordo. O detalhe que agora alarma autoridades sanitárias é que a passageira infectada deixou o navio junto de dezenas de turistas, muitos dos quais ainda não foram localizados.

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros neerlandês, entre os passageiros desembarcados também estava um cidadão suíço que posteriormente precisou de tratamento médico após retornar à Suíça. As autoridades confirmaram ainda que um homem que havia deixado o navio em Santa Helena foi internado com hantavírus após chegar ao país europeu.

Governos da Europa e da África passaram a tentar rastrear os contatos dos passageiros que deixaram o cruzeiro antes da confirmação oficial do surto.

O MV Hondius segue agora rumo às Ilhas Canárias com 146 pessoas a bordo, todas sob "medidas rigorosas de precaução", depois de permanecer ancorado por três dias perto de Cabo Verde. O navio está ligado a três mortes e oito casos identificados de hantavírus — três confirmados e cinco suspeitos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A revelação sobre os 40 passageiros que deixaram a embarcação antes do agravamento da crise sanitária amplia o desafio de rastreamento internacional, já que parte dos ocupantes pode ter seguido viagem para diferentes destinos antes da adoção de protocolos mais rígidos.

Autoridades de saúde da África do Sul detectaram em dois pacientes confirmados a cepa Andes do hantavírus, variante predominante na América Latina e associada, em surtos anteriores, à rara transmissão entre humanos em situações de contato muito próximo.

"É muito diferente da Covid e da gripe", afirmou Maria Van Kerkhove, representante da Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Não estamos falando de contato casual a certa distância entre as pessoas, mas sim de contato realmente físico."

Enquanto isso, a Espanha prepara a chegada do navio a Tenerife. Segundo o plano sanitário anunciado, todos a bordo passarão por avaliação médica. Passageiros estrangeiros considerados aptos serão repatriados, e os espanhóis seguirão para quarentena em um hospital militar em Madri.

"Não haverá risco", afirmou Mónica García, ministra da Saúde da Espanha, acrescentando que a operação "evitará contato" entre os ocupantes do navio e moradores das Ilhas Canárias.

Mesmo com a garantia do governo central, a decisão enfrenta resistência regional.

"Não posso permitir que [o barco] entre nas Canárias", declarou Fernando Clavijo, presidente das Canárias.

"Essa decisão não se baseia em nenhum critério técnico e tampouco nos deram informações suficientes."

Com novos detalhes sobre passageiros que deixaram o navio antes do alerta, o foco das autoridades agora se divide entre receber a embarcação em segurança e localizar quem pode ter sido exposto ao vírus fora dela.