Halloween: conheça animais que parecem 'assustadores', mas ajudam a natureza

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Fonte da notícia: O Liberal O Liberal

O Halloween é marcado por imagens de morcegos, aranhas, corujas e outras criaturas associadas ao medo e ao sobrenatural. Mas, longe das fantasias e dos filmes de terror, eles têm algo em comum: são importantes para o equilíbrio da natureza.

🎃 No Brasil, há espécies que carregam essas características e também fazem parte do imaginário popular. Algumas ajudam a controlar populações de insetos e roedores, outras participam da polinização e da dispersão de sementes.

“Na natureza, não existem ‘animais do mau’ ou ‘animais do bem’; cada espécie cumpre uma função ecológica vital”, explica a bióloga Karynna Tolentino, especialista em Conservação da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. VEJA MAIS

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🦇 Morcegos: nem todos são vampiros! Quando se fala em morcegos, é comum pensar em cavernas, escuridão e vampiros.

Mas a fama de animais que se alimentam de sangue está longe de representar a maioria das espécies. O Brasil abriga 188 tipos de morcegos, cerca de 12% das aproximadamente 1.500 espécies conhecidas no mundo.

Desse total, apenas três se alimentam de sangue. Os morcegos ajudam na polinização de plantas, na dispersão de sementes e no controle de insetos.

(Frank Thomas Sautter/Wikimedia) A maior parte consome frutos, néctar e insetos, enquanto algumas espécies também caçam pequenos vertebrados.

Por isso, esses animais têm funções importantes nos ecossistemas: ajudam a controlar insetos, polinizam flores e espalham sementes, contribuindo para a regeneração das florestas. E tem mais uma curiosidade: o morcego-sem-rabo-brasileiro (Tadarida brasiliensis) pode alcançar até 160 quilômetros por hora em voo horizontal.

A velocidade coloca a espécie entre os animais voadores mais rápidos conhecidos. 🦉 Suindara: a coruja conhecida como rasga-mortalha

Na cultura popular brasileira, nem toda coruja é vista apenas como símbolo de sabedoria. A suindara (Tyto furcata), também chamada de coruja-da-igreja e coruja-das-torres, ganhou o apelido de rasga-mortalha por causa do som de seu chamado, que lembra o barulho de um tecido sendo rasgado. 

O nome acabou alimentando uma superstiçãon e em algumas regiões, acredita-se que ouvir o canto da ave é sinal de que uma morte está próxima. A associação vem da mortalha, pano usado para envolver os mortos.

Conhecida pelo chamado que inspirou a lenda da "Matinta Pereira", a suindara é uma importante predadora de roedores e contribui para o controle de pragas. (Lubos Houska/Wikimedia)

Mas a realidade é bem diferente das histórias. Com cerca de 30 a 45 centímetros, a suindara tem o rosto branco em formato de coração e consegue girar a cabeça em até 270 graus.

Suas penas também possuem estruturas que reduzem o barulho durante o voo, permitindo que ela se aproxime das presas quase em silêncio. Além da aparência curiosa, a ave é uma importante aliada no controle de pragas.

Segundo o Instituto Butantan, uma suindara pode consumir, em média, quatro roedores por noite, além de insetos e outros pequenos vertebrados. 👻 Urutau: a ave-fantasma que parece desaparecer

Conhecido como mãe-da-lua e ave-fantasma, o urutau (Nyctibius griseus) parece ter saído diretamente de uma lenda de Halloween. Durante o dia, permanece imóvel sobre galhos e troncos, usando a plumagem em tons de marrom e cinza para se camuflar.

Assim, pode passar despercebido até mesmo quando está bem diante dos olhos de quem observa. Com plumagem que se confunde com os troncos das árvores, o urutau é conhecido como ave-fantasma e usa a camuflagem para passar despercebido durante o dia.

(Ka Kolarevic/Wikimedia) Outra característica chama atenção: o urutau possui pequenas aberturas nas pálpebras, conhecidas popularmente como “olho mágico”.

Elas permitem que a ave perceba o que acontece ao redor mesmo quando parece estar de olhos fechados. À noite, o animal sai do esconderijo para capturar insetos durante o voo.

Seu canto, que lembra um lamento, também contribuiu para a criação de histórias e superstições em diferentes regiões. E a reprodução reserva outra surpresa: em vez de construir um ninho elaborado, o urutau pode colocar um único ovo na ponta de um galho quebrado.

A camuflagem ajuda a proteger o filhote de possíveis predadores. 🕷️ Aranhas: muito além das teias

As teias espalhadas pelos cantos da casa são praticamente obrigatórias na decoração de Halloween. Na natureza, porém, elas têm funções bem diferentes: podem servir para capturar presas, oferecer abrigo e auxiliar na reprodução.

As aranhas ajudam a controlar populações de insetos, como moscas e mosquitos. (Rodrigo Tetsuo Argenton/Wikimedia)

Existem mais de 50 mil espécies de aranhas conhecidas no mundo, e cerca de 5 mil delas já foram registradas no Brasil. Nem todas dependem das teias para caçar.

Algumas perseguem ou surpreendem suas presas, que incluem principalmente insetos e outras aranhas. As espécies maiores também podem capturar pequenos vertebrados.

Ao se alimentar de moscas, mosquitos e outros insetos, as aranhas ajudam a controlar naturalmente essas populações. Isso não significa, porém, que todas sejam inofensivas.

O Ministério da Saúde considera de importância médica três grupos encontrados no Brasil: as aranhas-marrons (Loxosceles), as armadeiras (Phoneutria) e as viúvas-negras (Latrodectus). Até as caranguejeiras, que costumam assustar pelo tamanho e pela aparência, têm uma função importante nas cadeias alimentares.

Segundo o Instituto Butantan, o Brasil reúne cerca de 200 espécies conhecidas desse grupo. Apesar da aparência imponente, elas não representam perigo relevante aos seres humanos.

Por que esses animais precisam ser protegidos? Por trás das lendas e da aparência que inspira medo, esses animais têm participação fundamental no funcionamento dos ecossistemas.

Para a bióloga Karynna Tolentino, conhecer melhor essas espécies é um caminho para mudar a forma como são vistas pela população. “Que tal transformarmos esses animais, que no imaginário popular são associados ao terror, em símbolos de fascínio e proteção da natureza? Afinal, o verdadeiro ‘terror’ seria um mundo onde eles deixassem de existir”, afirma.

A proteção dessas espécies também depende da conservação dos ambientes onde vivem. Florestas e outros habitats preservados oferecem alimento, abrigo e locais para reprodução, além de favorecer a diversidade genética das populações.

“Áreas protegidas e habitats conservados com conectividade garantem local seguro para a construção dos ninhos e reprodução, abundância de alimento, contribuindo para que as populações dessas espécies continuem saudáveis e geneticamente diversas a longo prazo”, explica Karynna. A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza mantém duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), em Guaraqueçaba (PR) e Cavalcante (GO).

Juntas, as áreas protegem 11 mil hectares de Cerrado e Mata Atlântica. A instituição também apoia a criação e a implementação de Unidades de Conservação para proteger os ecossistemas brasileiros.

Publicação Original O Liberal oliberal.com
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