Neste domingo, Fernando Haddad (PT) venceu em apenas seis dos 644 municípios — até às 22h, os dados de Santo Expedito, na região do pontal do Paranapanema, ainda não tinham sido processados. Haddad venceu em Itapura, Sandovalina, Euclides da Cunha Paulista, Coronel Macedo, Diadema e Francisco Morato.
A cidade que Haddad teve mais votos foi Diadema (255.932), mas foi no município onde a diferença de pontos percentuais foi a menor (43,09% x 41,96%). A cidade onde Haddad teve a maior diferença percentual foi Itapura (52,73% x 34,12%), mas o número de votos é minúsculo para o total no estado: 1.400 votos.
Neste ano, Haddad perdeu em 37 dos 39. Em 2022, Haddad tinha vencido na Região Metropolitana, a mais populosa do estado, onde superou o atual governador em 24 dos 39 municípios.
Na capital, Tarcísio também virou em relação ao pleito anterior. Agora, ele teve 3,23 milhões de votos contra 2,82 milhões de Haddad — assim, o governador teve 409 mil votos ( 5,85 pontos percentuais de diferença).
Há quatro anos, o petista havia ganhado na capital, com mais de 800 mil votos de vantagem (2.804.984 contra 2.057.965). Dos 26.392.217 votos, Tarcísio teve 14.490.683 votos contra 8.423.014 votos de Haddad.
Veja os municípios onde Haddad ganhou: Diadema: 43,09% x 41,96%
Francisco Morato: 43,31% x 39,42% Euclides da Cunha Paulista: 52,33% x 38,67%
Sandovalina: 53,67% x 38,03% Coronel Macedo: 44,94% x 43,39%
Itapura: 52,73% x 34,12% Derrota esperada
Em São Paulo, a dúvida era o tamanho da diferença que Tarcísio apresentaria nas urnas contra Haddad do que no resultado em si — e ela foi uma "goleada", com Tarcísio se tornando o governador mais bem votado na história do estado. Além de ser bem avaliado, Tarcísio acertou na política e não deixou nenhuma terceira via se estruturar no estado e o ameaçar.
Carlos Machado, do PCB, e Vera Lúcia, do PSTU, empatados com 2% atrás de Haddad, poderão ter o pior resultado da história de um terceiro colocado em São Paulo. O posto é de Orestes Quércia, em 2006.
Haddad (PT) antecipou o horário de votação numa escola em Moema, zona Sul de São Paulo, inicialmente previsto para 11h. O petista estava acompanhado das candidatas ao senado Simone Tebet e Marina Silva, além do vice-presidente Geraldo Alckmin e mais seu próprio vice, Márcio França.
Haddad afirmou estar “muito satisfeito” com a qualidade da campanha. — Saí muito satisfeito com a campanha de 2022 e estou saindo com o mesmo espírito leve nessa campanha de 2026.
Eu fiz cumprir o meu papel — afirmou. Antes de votar, Haddad acompanhou o voto do presidente Lula.
Juntos, eles começaram o dia tomando café da manhã no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. O ex-ministro da Fazenda afirmou que Lula estava “muito bem-humorado”.
Sacrifício ou privilégio Foi a pedido do atual presidente que Haddad aceitou concorrer novamente ao governo de São Paulo, mesmo deixando claro que preferiria apenas contribuir com o plano de governo e a campanha do aliado, sem disputar cargo eletivo.
Anunciado como pré-candidato em evento no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em março, ele procurou demonstrar que não via a tarefa como um “sacrifício”, e sim um “privilégio”. O cálculo sempre foi mais nacional do que regional.
Diante das previsões de uma disputa dura contra o principal nome de oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Lula precisava de um nome com desempenho sólido no estado para reduzir a distância para a direita no maior colégio eleitoral do país. A rejeição ao PT em uma parcela significativa do estado de São Paulo, a escassez de aliados regionais e o nível de aprovação do governo de Tarcísio tornaram a missão ingrata.
Sempre com larga desvantagem em pontos percentuais nas pesquisas (60% a 36% nos votos válidos na última Quaest), o aliado de Lula sempre esteve distante de uma vitória nas urnas.
O Globo