Haddad se reúne com Lula, e aliados falam em avanço nas conversas para ministro ser candidato em SP

 

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Em jantar nesta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, devem discutir a possibilidade de candidatura ao governo de São Paulo nas eleições deste ano, segundo aliados dos dois políticos. Três pessoas próximas a Lula dizem que há um avanço nas conversas e tratativas para convencer o ministro, que até então vinha demonstrando publicamente o desejo de não participar da disputa.

O martelo não está batido, no entanto. Interlocutores do presidente da República dizem, por outro lado, que apostam no convencimento de Lula para que Haddad dispute as eleições e que o petista não poderá ignorar o pedido do chefe do Executivo. Eles citam a possibilidade de Haddad disputar o Palácio dos Bandeirantes, numa chapa que poderia ser formada ainda pelas ministras Simone Tebet (Planejamento) e Marina Silva (Meio Ambiente). Também é lembrado o ministro Márcio França (Empreendedorismo).

Aliados afirmam que caso o ministro optasse pela candidatura ao Senado, o caminho seria mais fácil. Há uma avaliação, no entanto, que o que ajudará Lula na reeleição é Haddad ser candidato ao governo.

Em conversa rápida com jornalistas antes do jantar, Haddad disse que não conversou sobre o assunto com Lula na viagem à Ásia, de onde voltaram na quarta-feira. Segundo o ministro, tampouco houve conversas com integrantes do PT. Em relação ao jantar, disse que o assunto não foi adiantado por Lula e que sua esposa Ana Estela também estará presente.

– Antes da viagem, nós tivemos duas conversas sobre o tema, não conclusivas, E vamos, possivelmente, ter outras conversas.

O chefe da Fazenda não tinha intenção de concorrer a nenhum cargo este ano e gostaria de colaborar com a campanha à reeleição de Lula ao Palácio do Planalto, mas a pressão para a candidatura ao governo de São Paulo aumentou diante do crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em pesquisas de intenções de voto para a presidência da República. Apesar das resistências do ministro, ele é considerado por Lula e pelo PT um quadro importante e um nome competitivo para puxar votos para a eleição nacional, como aconteceu em 2022.

Na última eleição, mesmo com a derrota para o hoje governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o ministro teve o melhor resultado da história do partido nas eleições para o Palácio dos Bandeirantes - desempenho considerado crucial pelo entorno do presidente para que Lula voltasse ao Planalto na acirrada disputa com Jair Bolsonaro.

Nesse contexto, Haddad entraria na disputa pelo governo, não pelo Senado, como chegou a ser avaliado, apesar de o ministro resistir a ir para o "sacrifício" mais uma vez. Até porque a outra opção mais competitiva seria o vice Geraldo Alckmin (PSB), que já indicou que não topa nova disputa pelo Bandeirantes, após governar o estado por quatro vezes.

Como mostrou O GLOBO, a saída do ministro do governo, inicialmente pensada para meados de fevereiro, deve ser mais uma vez adiada. O chefe da Fazenda foi escalado pelo Planalto para a visita ao presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca. No jantar desta quinta, também deve ser definida a participação do ministro na viagem. O encontro não tem data marcada, mas deve ocorrer na segunda quinzena de março, segundo pessoas que acompanham as conversas. Caso seja candidato, o ministro precisará deixar o governo até o início de abril.