Haddad quer discutir mais do que o palanque de São Paulo

 

Fonte:


Enquanto a aproximação do calendário eleitoral tem feito subir a pressão do petismo e do Planalto, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, busca avançar numa discussão mais ampla com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre qual seria o sentido de uma eventual candidatura sua.

A lógica é pautada na visão de que não basta simplesmente pensar na necessidade de montagem de um palanque em São Paulo, por mais decisivo que isso seja para fortalecer a possibilidade de reeleição de Lula.

Nesse sentido, segundo O GLOBO apurou, o debate passa necessariamente pelo que será defendido pelo campo da esquerda não só em São Paulo, mas no país e nos demais palanques estaduais.

O entendimento de Haddad, segundo interlocutores do ministro, é que uma candidatura na qual ele defenda coisas que são combatidas ou contraditas por outros importantes personagens do petismo, como a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, dois desafetos, é o mesmo que ser jogado numa fogueira.

É até curioso lembrar que a mesma Gleisi que por anos criticou o “austericídio” de Haddad recentemente cobrou a participação do ministro das eleições.

O caminho que deverá ser proposto a Lula para um novo ciclo político não está claro. O que se sabe é que o atual chefe da equipe econômica tem demonstrado uma visão que busca se distanciar do petismo puro e simples, fazendo gestos ao centro e ao mercado financeiro, mas sem pular para essas canoas.

Embora há meses ele esteja dizendo que não gostaria de disputar um cargo eletivo e preferiria ter um papel de coordenação na campanha, mais recentemente, em suas aparições públicas, já se percebe um tom levemente diferente, ainda que siga sem admitir a candidatura.

Com a subida de tom do presidente Lula na entrevista ao UOL hoje, após uma semana em que vozes como a da ministra do Planejamento, Simone Tebet, engrossaram o coro pela sua candidatura, o ministro vai sendo encurralado para disputar um cargo. É como se colocassem para ele o risco de se colocar na conta dele um eventual fracasso da campanha à reeleição.

Dado que é muito difícil escapar de chamados tratados como missões, Haddad tenta pelo menos arrancar compromissos de Lula e de seu campo político. O jogo não é só 2026, mas também 2030.