Haddad propõe agência para combater facções 'no andar de cima' e retomada das câmeras ininterruptas em PMs

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Fonte da notícia: Valor Valor

Ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad participa de evento na Fundação FHC, em São Paulo Vinicius Doti/Fundação FHC O ex-ministro e candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, destacou o combate ao crime organizado “no andar de cima”, ao feminicídio e ao roubo e furto de celulares entre suas prioridades no plano de governo na área de segurança, divulgado nesta segunda-feira (10). Haddad propôs também retomar a gravação ininterrupta das câmeras de segurança dos policiais e intensificar o uso de inteligência artificial na área.

Uma das bandeiras do ex-ministro da Fazenda em seu programa de segurança é o combate à infiltração de facções criminosas na economia formal e no mercado financeiro, em ações feitas em parcerias com o Ministério Público e órgãos de controle. Haddad propôs a criação de uma Agência Estadual Antifacção, que seria uma estrutura permanente do governo de inteligência e investigação, comandada pelo governador, com a participação do MP, polícias, Receita Estadual e órgãos de controle. O objetivo, segundo a campanha do petista, será desarticular as organizações criminosas com bloqueios de patrimônio, retirada de mecanismos criminosos que operam na economia formal e destinação social de bens confiscados. Pesquisa Ideia: Tarcísio lidera com 51% no 1º turno, contra 34% de Haddad Tarcísio e Haddad nacionalizam disputa em debate e trocam críticas sobre segurança Bruno Carazza: O que será do PT após Lula? Ao divulgar a proposta de segurança antes das demais áreas do governo, o candidato do PT indicou que a área será um dos principais temas de sua campanha na disputa contra o governador do Estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição. Segurança é a área com pior avaliação do governo Tarcísio e a violência é o principal problema do Estado, segundo pesquisas recentes. De acordo com o levantamento Genial/Quaest divulgado em julho, 34% dos entrevistados citaram segurança como o principal problema. Na sequência aparecem as áreas de saúde, com 19% das menções, e educação, com 6%. A atuação do governo na segurança é avaliada de forma negativa por 39%, regular por 37% e 24% consideram positiva.

No programa de governo de segurança de Haddad, chamado “SP protege”, o ex-ministro da Fazenda e candidato defendeu ações do governo federal, comandado pelo presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma espécie de “vacina” às críticas que deve receber na disputa pelo governo estadual. Lula é o principal cabo eleitoral de Haddad e a violência também é citada, no plano federal, como o principal problema do país, segundo pesquisas recentes. O candidato do PT ao governo paulista disse que vai combater o crime organizado “assim como fez o governo federal”, ao destacar o combate às facções “no andar de cima”, em operações envolvendo empresários e agentes financeiros.

Como exemplo da ação contra o crime organizado “no andar de cima”, a campanha de Haddad citou a Operação Carbono Oculto, deflagrada há quase um ano, com a participação da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público de São Paulo. A operação é considerada uma das maiores do país no combate à infiltração do crime organizado na economia formal e no mercado financeiro, em um esquema de lavagem de dinheiro, fraudes e sonegação no setor de combustíveis.

Em outra proposta voltada ao combate de facções criminosas, o programa do candidato petista afirmou que será criada uma força-tarefa permanente do Porto de Santos, para combater o tráfico transacional e outros crimes que usem o porto “como porta de saída. A proposta prevê que essa força-tarefa tenha mandato e orçamento próprios, reunindo o Estado, a Agência Estadual Antifacção, a Receita Federal, a Polícia Federal, a autoridade portuária e a Marinha.

Em um aceno ao setor produtivo e ao agronegócio, resistentes ao candidato do PT, Haddad propôs fazer o patrulhamento de corredores logísticos como uma estrutura permanente de combate ao roubo de cargas. Entre as prioridades estão o combate ao furto de gado, maquinário, defensivos e insumos, além da receptação que financia esses crimes, com atenção especial aos pequenos produtores e articulação com os estados vizinhos nas divisas.

O programa do petista destacou o aumento dos casos de feminicídio no Estado e propôs fortalecer a ação da Delegacia da Mulher, com o uso de inteligência artificial para cruzar dados e alertas e agilizar o acionamento da polícia em casos de violência. O programa promete dar atendimento especializado para crianças e adolescentes vítimas de violência e a realização de prova pericial em até 48 horas.

No primeiro semestre deste ano, os casos de feminicídio chegaram ao maior patamar da série histórica, iniciada em 2018, com 141 registros. Na comparação com o mesmo período de 2025, a alta foi de 10%, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública. O aumento de feminicídios em 2026 foi puxado pelo interior do estado, que registrou 96 boletins de ocorrência de janeiro a junho, contra 70 no ano anterior.

O programa foi elaborado com os especialistas Leandro Piquet, pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Políticas Públicas (NUPPs) da USP e integrante do Conselho Gestor da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado; Benedito Mariano, sociólogo e coordenador do Núcleo de Segurança Pública na Democracia, do Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa; o engenheiro Igor Marchesini, que atuou no Ministério da Fazenda como assessor especial e o ex-ouvidor da polícia Claudio Silva, além do coordenador do programa de governo, Emídio de Souza.

Salários melhores e câmeras corporais

De forma genérica, o programa propõe a valorização da polícia, com um plano de carreira, mas não detalha o que pretende alterar do atual plano de carreira em vigor. Diz apenas que as promoções serão por “critérios profissionais, sem interferência política”.

O programa promete retomar a gravação contínua das câmeras corporais dos policiais durante todo o serviço na rua, sem depender do acionamento de cada agente policial. Na atual gestão, de Tarcísio, as câmeras passaram a ser acionadas pelos próprios policiais.

IA e placar da segurança O programa de segurança do petista destacou ainda a ampliação do uso de inteligência artificial para integrar policiais e guardas municipais, cruzando as imagens de câmeras de segurança, os dados de ocorrência e as chamadas ao 190 para montar “mapas de calor” que mostram onde e quando o crime acontece, para direcionar o atendimento policial.

Segundo a proposta, será criado também um “Placar da Segurança”, para publicar a cada trimestre os indicadores de esclarecimento de roubo, furto, homicídio e feminicídio, com dados abertos por região e metas públicas. Um dos objetivos, afirmou o programa, “é tirar a cidade de São Paulo da terceira posição entre as capitais com mais roubos de celular no Brasil”.

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