Haddad diz que estado de São Paulo está em uma situação 'preocupante', em resposta a Tarcísio
O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) afirmou que o estado de São Paulo está em uma situação "preocupante". Ele também avaliou que o contexto poderia ser ainda mais "difícil", se não fosse o apoio do governo federal relativo à renegociação de dívidas estaduais.
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A declaração foi uma resposta ao atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que declarou nesta semana que a gestão de Haddad na Economia "quebrou o Brasil".
“Ele (Tarcísio) não precisa agradecer, mas não precisa mentir. Fica quieto. Eu, no lugar dele, ficava quieto. Agora, mentir? Ganhou o que com isso?”, disse o petista.
Em fevereiro deste ano, Tarcísio foi a Brasília para reuniões com os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. A principal pauta foi a adesão de São Paulo ao Propag, programa federal que permite a renegociação das dívidas dos estados com a União, com expectativa de que o estado paulista economizasse cerca de R$ 1 bilhão ao mês em dívidas.
Aproximação com a direita
No mesmo evento, Haddad declarou que tem buscado aproximações com personagens da direita no estado para ter uma radiografia completa da situação da região em decorrência da gestão do seu principal adversário ao Palácio dos Bandeirantes, o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos.
Segundo o ministro, ele teve conversas com membros do PSDB, como José Serra, ex-prefeito da capital paulista.
Haddad explicou que está fazendo anotações sobre decisões erradas e afirmou que tem percebido grande insatisfação das corporações policiais, de membros da magistratura e de prefeitos do interior com a gestão Tarcísio.
Ele chegou a mencionar, por exemplo, que as políticas de promoção de cargos nas forças estaduais de segurança sob a gestão Tarcísio passaram a ser feitas com critério de amizade, e não técnicos. Afirmou ainda que uma das principais bandeiras do republicano no campo da educação, como as escolas cívico-militares, não faz sentido do ponto de vista pedagógico.
Chapa indefinida
A 5 meses das eleições e com as chapas da esquerda para governo de São Paulo e Senado ainda indefinidas, Haddad revelou que a ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, Teresa Vendramini, ou "Teka" Vendramini, rejeitou o convite do petista para ser sua vice na corrida ao governo estadual. No entanto, ele disse que o acordo feito é que Teka faça parte do plano de governo de Haddad, já que, de acordo com o ex-ministro, ela tem muito a contribuir.
A ideia do PT, ao convidar Teka, era formar uma chapa que se aproximasse do agro e fortalecesse laços do petista com o interior do estado, reduto eleitoral de Tarcísio. A vaga de vice de Haddad, portanto, segue indefinida.
O ex-ministro também expandiu declarações para o âmbito nacional e comentou sobre o Desenrola 2.0, iniciativa do governo federal implementada por meio de medida provisória para simplificar a renegociação de dívidas para aquela parcela da população com renda de até cinco salários mínimos.
O ex-ministro declarou que o programa não é, de fato, uma solução estrutural para o endividamento das famílias, que é uma solução pontual, e atribuiu o problema do endividamento da população às altas taxas de juros deflagradas pelo Banco Central.
Campanha de Lula
Ainda no plano nacional, Haddad deu o tom do que será explorado pela campanha do presidente Lula (PT) para derrotar em outubro o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) na disputa ao Planalto.
Para desgastar Flávio, a campanha deverá apostar em mostrar à população quem é o senador e sobretudo como ele angariou patrimônio, se referindo às investigações contra o senador por suposto envolvimento em casos de "rachadinha" e compra de imóveis em dinheiro vivo.
Outro ponto a ser explorado pela campanha tanto de Haddad quanto de Lula é o caso Master. Neste campo, os petistas farão referência às doações recebidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e Tarcísio durante a campanha de 2022.
Na época, o então presidente, que tentava a reeleição, recebeu R$ 3 milhões de um parente de Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, a título de doação. Já Tarcísio, que se tornou governador de São Paulo naquele ano, foi agraciado com R$ 2 milhões.
