Haddad diz não ter data para deixar Fazenda e fala em 'arquitetura nova' para gastos sociais
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira que não há uma data para sua saída do comando da pasta e evitou cravar uma eventual sucessão pelo atual secretário-executivo, Dario Durigan. Ele esteve no CEO Conference Brasil 2026, evento promovido pelo BTG Pactual, em São Paulo (SP).
— Eu imaginei que essa fosse ser uma das minhas últimas aparições como ministro da Fazenda, mas ontem eu estive com o presidente Lula num café da manhã, que ainda me pediu algumas coisas na saideira.
Durante o evento, o ministro avaliou que o Brasil está pronto para discutir uma solução mais criativa para a evolução de programas sociais. Haddad mencionou a possibilidade de uma renda básica, que considera uma alternativa “mais racional” diante da quantidade de demandas do país.
Segundo ele, o nível atual de investimento em assistência social pode abrir espaço para uma reorganização semelhante à promovida no início do primeiro governo Lula, quando diversos programas foram unificados sob o guarda-chuva do Bolsa Família.
— Talvez nós estejamos numa situação que permita uma arquitetura nova do ponto de vista do dispêndio, sobretudo de natureza assistencial — afirmou o ministro.
Questionado se defendia a criação de um programa de renda básica, Haddad disse apenas que o país estaria “maduro” para buscar outras alternativas:
— Eu estou dizendo que, assim como o governo Fernando Henrique deixou uma série de programas que depois puderam ser organizados de uma maneira inovadora, eu entendo, olhando para o orçamento, que talvez o Brasil esteja maduro para uma solução mais criativa. Esse desenho vai ter que ser formulado e validado com os candidatos, com o candidato a presidente do PT.
O ministro também criticou a qualidade técnica do debate sobre a situação fiscal do país e voltou a apontar problemas herdados da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como o não pagamento de precatórios (dívidas públicas reconhecidas judicialmente).
Ele lembrou ainda que regras de flexibilização da elegibilidade do Benefício de Prestação Continuada (BPC) foram contratadas em 2021 e que o valor de R$ 600 do então Auxílio Brasil não foi considerado no Orçamento de 2023 pelo governo anterior.
— É fácil você estar atrás de um computador dizendo o que o ministro da Fazenda tem que fazer. Agora, tem Supremo, tem Congresso, tem Faria Lima, tem mercado, tem setor produtivo, tem Palácio do Planalto, tem muita coisa para gerenciar.
Haddad disse considerar a reforma tributária o principal legado de sua gestão. Segundo ele, paralelamente à mudança estrutural no sistema de impostos sobre o consumo, o governo corrigiu distorções na tributação da renda, incluindo fundos antes isentos, ajustes na tributação de dividendos e iniciativas em outras frentes, como o Crédito do Trabalhador.
